- A Polícia Federal rejeitou a segunda proposta de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, apresentada nesta semana.
- A Procuradoria-Geral da República avalia não homologar os novos termos, mantendo a possibilidade de não avançar o acordo.
- Vorcaro pode perder o benefício de prisão em cela especial e pode voltar à cela comum, com riscos de transferência para a Papudinha ou para o Presídio Federal de Segurança Máxima.
- Investigadores não consideram que a nova delação traga fatos ou provas novos, suficientes para sustentar benefícios ou abrir novas frentes de investigação.
- Mesmo que PF e PGR rejeitem a delação, a defesa pode levar o caso ao ministro do STF, André Mendonça, que terá a palavra final.
Daniel Vorcaro enfrenta novo revés em delação premiada após a PF rejeitar a segunda proposta apresentada pela defesa. A Procuradoria-Geral da República avalia não homologar os termos, o que aumenta o risco de retorno do ex-banqueiro à cela comum e reduz as chances de perdão ou redução de pena no caso Master.
Segundo apurações, a segunda versão não trouxe novidades relevantes para justificar benefícios previstos na colaboração. Investigadores destacam a falta de fatos novos que ampliem frentes de investigação ou apresentem provas consistentes.
A PF analisa um volume expressivo de documentos apreendidos em oito fases da Operação Compliance Zero. Mesmo com relatos de Vorcaro sobre supostas relações com autoridades, não ficou evidenciada materialidade suficiente para sustentar novas diligências.
A possibilidade de transferir Vorcaro para a Papudinha ou para o Presídio Federal de Segurança Máxima, em Brasília, é discutida entre as autoridades. A mudança pode ocorrer nos próximos dias, conforme avaliação interna.
Cenário e perspectivas
Especialistas ouvidos pelo jornal avaliam que o timing das negociações favoreceu pouco o empresário. A repetição de propostas sem conteúdo relevante pode ter desgastado a relação com investigadores e reduzido o potencial de benefícios.
Entre os próximos passos, seguem-se negociações de possíveis delatores ligados ao caso, como o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e o empresário Fabiano Zettel. Ainda não houve acordo definitivo no processo Master.
Embora a defesa tenha questionado resistência das autoridades, a análise interna aponta que a colaboração precisa de provas robustas para avançar. Sem evidências suficientes, a delação tende a permanecer sem efeito no curto prazo.
Caso as partes insistam na negativa, o recurso pode seguir ao STF, com o ministro André Mendonça sendo o relator. Contudo, analistas apontam que adesão de um acordo incompleto é improvável diante do cenário atual.
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