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Pais da vítima de Nottingham exigem quebra de confidencialidade médica se houver risco

Pais das vítimas defendem que médicos quebrem confidencialidade se houver risco a terceiros, citando falhas sistêmicas reveladas na investigação de Nottingham

Sanjoy Kumar and Sinead O'Malley-Kumar, who are both medical doctors, said it was the duty of medical staff to breach confidentiality guidelines if public safety is at risk.
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  • Os pais das vítimas dos ataques em Nottingham defendem que médicos podem violar confidencialidade se o paciente representar risco para terceiros.
  • A imprensa informou que o inquérito público de 14 semanas analisou a preparação e a resposta aos ataques de junho de 2023.
  • Valdo Calocane, que tem esquizofrenia paranoide, tinha sido liberado várias vezes de serviços de saúde mental antes dos homicídios; três pessoas foram mortas na madrugada de 13 de junho de 2023.
  • Calocane foi condenado por três acusações de homicídio culposo e recebeu medida hospitalar suspensa em janeiro de 2024; houve falhas de comunicação entre polícia e serviços de saúde.
  • As famílias ressaltaram falhas de tratamento, comunicação entre agências e que houve “falta de franqueza” na apuração; o relatório final deve ser apresentado no próximo ano.

Três vítimas dos ataques de Nottingham foram assassinadas na madrugada de 13 de junho de 2023. Valdo Calocane, que tem esquizofrenia paranoide, foi condenado por três crimes de homicídio culposo e recebeu uma ordem hospitalar suspensa em janeiro de 2024. A defesa e familiares questionam a atuação de serviços de saúde que, segundo eles, não agiram para evitar o risco.

Durante uma coletiva em Londres, os pais de Barnaby Webber, Grace O’Malley-Kumar e Ian Coates apontaram falhas recorrentes no atendimento de Calocane nos anos que antecederam o crime. Eles afirmaram que a proteção do paciente falou mais alto do que a proteção da população, e que ações imediatas eram necessárias para evitar novos ataques.

As famílias mencionaram lapsos de comunicação entre as forças policiais, serviços médicos e a própria família de Calocane. Foram destacadas falhas em compartilhar informações e na vigilância de casos anteriores de violência, inclusive após a primeira internação do acusado em 2020.

O inquérito público, conduzido pela juíza aposentada Deborah Taylor KC, ouviu relatos de múltiplas intervenções médicas e de policiais com Calocane. A investigação também ouviu que autoridades locais se desculparam pela não atuação em mandado de prisão emitido quase um ano antes dos homicídios.

Sinead O’Malley-Kumar, mãe de Grace, criticou a atuação de psiquiatras envolvidos no cuidado, afirmando que a decisão de alta clínica não condiz com a situação. Ela disse que os profissionais devem ser responsabilizados e que a regulação merece revisão.

Sanjoy Kumar, médico e pai de Grace, destacou que há diretrizes que obrigam médicos a violar a confidencialidade quando há risco público, especialmente se a vítima estiver em potencial perigo. Os familiares afirmaram que esse dever não foi cumprido no caso de Calocane.

Além disso, os pais de Webber e O’Malley-Kumar destacaram que o inquérito revelou uma falta de franqueza e encobrimentos entre serviços e agências, deixando perguntas sem resposta para as famílias. O relatório final deve trazer recomendações ainda neste ano.

A próxima fase do processo envolve declarações finais de participantes-chave em setembro, com a etapa final prevista para o próximo ano. Organizações profissionais foram procuradas para comentar, mas não houve resposta imediata.

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