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MP denuncia fraude: prefeitura paga R$ 450 mil a padre coach em AL

MP denuncia superfaturamento e fraude em contrato de 450 mil com padre coach em Feira Grande, AL; ex-gestores e empresa podem ser responsabilizados e o erário ressarcido

Padre Chrystian Shankar
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  • O Ministério Público de Alagoas ajuizou ação civil pública contra ex-gestores, a empresa RM Fernandes LTDA – CS MotiveAção e o município de Feira Grande (AL) por irregularidades na contratação do padre Chrystian Shankar, conhecido como “master coach”, em contrato de R$ 450 mil assinado em 2024 para capacitar 500 servidores da educação.
  • A investigação aponta superfaturamento e suspeita de fraude à licitação, questionando a necessidade do gasto e a justificativa apresentada pela prefeitura.
  • A exclusividade do palestrante foi apresentada pela prefeitura como base para inexigibilidade, mas o MP identificou que a exclusividade decorreu de uma declaração unilateral e houve contratação semelhante em outra cidade (Limoeiro de Anadia) diretamente com o padre.
  • A auditoria lista irregularidades: sobrepreço (valor por participante superior a R$ 700 ante cerca de R$ 200 em referência), inscrições para servidores fantasmas (pagamento para 500, mas ativos seriam cerca de 370), custo de estrutura sem redução no contrato e falta de provas de execução (listas de frequência e relatórios).
  • O MP requer a nulidade do contrato, ressarcimento integral do dano e condenação por improbidade aos ex-prefeito Flávio Lira, à ex-secretária Patrícia Medeiros e à RM Fernandes, além de responsabilização pela suposta atuação para favorecer a empresa.

O Ministério Público de Alagoas (MP-AL) moveu uma ação civil pública contra ex-gestores, a empresa RM Fernandes LTDA – CS MotiveAção e o município de Feira Grande, por irregularidades na contratação do padre Chrystian Shankar, que se apresenta como master coach. O pedido foi protocolado no dia 22 de maio.

A denúncia aponta superfaturamento e fraude em licitação na contratação feita em 2024 para capacitar 500 servidores da educação. Feira Grande, cidade com 23 mil habitantes, fica no agreste alagoano.

O contrato, no valor de 450 mil reais, gerou suspeitas de custos elevados e de falha no processo licitatório. Partiu de uma prefeitura que alegou inexigibilidade, com base numa suposta exclusividade da empresa intermediária.

A investigação e as irregularidades

O MP-AL destaca que a motivação da contratação não teve embasamento técnico. Não houve demonstração de como o conteúdo atenderia necessidades administrativas que justificassem dispensa de licitação.

O padre foi contratado via RM Fernandes LTDA – CS MotiveAção, que também está no polo da ação. A prefeitura alegou exclusividade da palestrante, o que, segundo o MP, não se sustenta.

A auditoria aponta problemas como sobrepreço, com remuneração por participante de 200 reais segundo a assessoria, mas o município pagou mais de 700 reais. Também há apontamento de servidores fantasmas.

Outros pontos e desdobramentos

Segundo o MP-AL, havia apenas cerca de 370 servidores ativos na época, ainda que o treinamento tenha sido pago para 500 pessoas. A fiscalização também aponta custos de estrutura pagos pela prefeitura sem redução equivalente no preço final.

Não foram apresentadas listas de frequência ou relatórios de execução que comprovassem a realização do treinamento para todos os inscritos.

Medidas e responsabilizações

A ação solicita nulidade do contrato e responsabilização solidária do ex-prefeito Flávio Rangel Apóstolo Lira, da ex-secretária Patrícia Medeiros e da RM Fernandes. O pedido inclui ressarcimento ao erário e sanções por improbidade administrativa.

O caso segue sob avaliação, com defesa ainda em estágio inicial por parte dos envolvidos. O UOL apurou que o ex-prefeito e a ex-secretária não haviam apresentado defesa até a publicação desta reportagem. A prefeitura de Feira Grande não comentou o caso.

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