- Detentos de Alligator Alcatraz, em Florida, dizem que guardas negaram água e alimentação até que assinassem documentos em inglês que não entendem.
- Em áudio obtido pelo Guardian, mais de seis detentos relatam água nos últimos três dias com cheiro ruim e larvas de mosquito; água foi retirada em alguns momentos.
- Relatos indicam retaliação por não assinar, com remoção de água e remédios; há detainés com diabetes e hipertensão entre os afetados.
- A Workers Circle, ONG que atua como ponte entre detentos e familiares, afirma que há pressão para concordar com deportação sem assistência jurídica.
- O governo da Flórida disse haver atendimento médico 24 horas por dia; não comentou as alegações específicas. O centro havia sido indicado para fechamento no futuro próximo.
Detainees no Alligator Alcatraz, prisão de imigração na Flórida, alegaram nesta quinta-feira que não receberam comida nem água potável até assinarem documentos em inglês que não compreendem. As acusações foram feitas durante uma ligação de áudio com um grupo de defesa de imigrantes, ouvido pelo Guardian.
Mais de uma dúzia de detidos afirmou que a água fornecida nos últimos três dias apresentava gosto ruim, com larvas de mosquito, numa suposta pressão para que aceitassem os papéis. Os internos se identificaram por nome, setor e número de cela, mas a imprensa não divulgará esses dados por temer represálias.
Durante a conversa, a denúncia também envolve a retenção de refeições e o atraso na entrega de medicamentos para quem precisa, incluindo pacientes com diabetes e hipertensão. Os relatos apontam ainda que as represálias teriam ocorrido após recusarem a assinatura dos documentos em inglês.
Contexto e evidências
Um integrante da Workers Circle, grupo que atua como ponte entre detidos e famílias, afirmou que os guardas teriam retirado água e pressionado para que assinatura fosse efetivada. A organização afirmou estar acompanhando o caso desde dias anteriores, com queixas sobre qualidade da água e interrupção de fornecimento.
Atrasos no fornecimento de refeições e críticas sobre o acesso a serviços médicos também foram citados, com relatos de difícil obtenção de atendimento. A gravidade das acusações motivou o contato com autoridades estaduais e organizações de defesa.
Resposta do estado
A agência estadual que supervisiona o funcionamento da instalação, com guarda privada, não comentou anteriormente as acusações. Em resposta publicada em 29 de maio, a diretora de comunicações do órgão afirmou que instalações médicas e uma farmácia estão disponíveis 24 horas por dia para detidos. O órgão também disse não haver evidências de maus-tratos.
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