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Um em cada cinco presos por tumultos de 2024 sofre denúncias de abuso doméstico

Dados apontam que 21% dos 949 detidos em distúrbios de 2024 já foram relatados por violência doméstica; Cumbria chega a 54%

Riot police hold back protesters after disorder broke out in Southport, England, on 30 July 2024.
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  • Uma em cada cinco pessoas presas por participar dos distúrbios de 2024 na Inglaterra e na Irlanda do Norte foi, desde então, acusada de violência contra parceiro íntimo; são 21% de 949 detidos.
  • Em Cumbria, a taxa é ainda maior, atingindo 54% dos presos que participaram dos incidentes.
  • Entre os crimes alegados estão agressão comum, comportamento controlador, violação de avisos de violência doméstica, ameaças de morte, danos e agressões físicas.
  • Dados do FoI (informação fornecida sob leis de transparência) foram obtidos por meio de pedidos a 21 forças policiais que cobrirem 27 cidades envolvidas nos protestos de julho e agosto de 2024.
  • Em Hull, Rotherham e Bristol, dezenas de indivíduos presos foram posteriormente reportados por violência contra parceiros; algumas forças não conseguiram fornecer informações completas por limitações de custo.

Duas a cada cinco pessoas presas pela participação nos distúrbios de verão de 2024 já haviam sido alvo de denúncias de violência doméstica antes mesmo dos incidentes. Conforme dados obtidos pela imprensa por meio de FoI, 21% dos 949 detidos em inglês e na Irlanda do Norte foram posteriormente comunicados por crimes ligados à violência contra parceiros íntimos desde agosto de 2024.

Os números refletem o recorte de 27 cidades e regiões onde houve tumultos entre 30 de julho e 7 de agosto de 2024, com avaliações do Guardian baseadas em 21 forças de segurança. Em algumas áreas, a proporção de casos de violência doméstica é particularmente elevada, chegando a mais da metade entre os detidos em Cumbria.

Panorama por local

Em Hull, 116 pessoas foram presas e 33, ou seja, quase 30%, já tiveram relatos de violência doméstica registrados. Em Rotherham, 171 detenções levaram a 40 casos de violência contra parceiros. Em Bristol, 60 detidos incluem 12 com registros de violência doméstica.

Dados e hipóteses

Quatro forças não conseguiram fornecer dados sobre violência doméstica dentro dos limites de custo do FoI, incluindo Merseyside e Greater Manchester. Em Southport e Liverpool houve períodos de tumulto com centenas de detenções. Em Cumbria, 14 dos 26 detidos tiveram relatos de violência doméstica posteriormente.

Relatórios apontam que entre as denúncias estão lesões corporais, ameaças, uso de controle coercitivo, violação de ordens de proteção e danos. Em termos processuais, 50% dos detidos já foram acusados, e 43% foram condenados por crimes cometidos durante o distúrbio, com variação entre forças.

Repercussões e reação institucional

Caso emblemático gerou condenação de violência extrema: um suspeito de Manchester foi condenado a 10 anos de prisão por uma série de agressões envolvendo arma branca, estrangulamento e outras ofensas. Autoridades reiteraram compromisso com justiça célere e reforçaram medidas contra violência de gênero.

Farah Nazeer, CEO da Women’s Aid, destacou que há pessoas em grandes manifestações que já tinham histórico de violência contra parceiros. Ela enfatizou a necessidade de desmontar mitos sobre violência doméstica associando-a a imigrantes e a multidões, defendendo ações governamentais mais firmes.

O Ministério do Interior afirmou ter a violência contra mulheres e meninas como prioridade e mencionou estratégias para identificar e responsabilizar perpetradores, incluindo novas ordens de proteção para orientar o trabalho policial e reduzir danos.

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