- David Lammy e a juíza-chefe Sue Carr presidem um novo conselho de diversidade judicial e legal que se reuniu em Londres para acelerar a contratação de advogados de minorias étnicas e de classes trabalhadoras para o Judiciário.
- O objetivo é eliminar barreiras, acelerar a entrada de candidatos de origens sub-representadas e fortalecer mentoria, após críticas de que planos de Lammy para reduzir júris poderiam aumentar vieses.
- A reunião ocorreu após campanhas de recrutamento recentes terem aumentado a participação de mulheres juízas para 44%, ainda com baixa representatividade de blacks, que permanece em 1% conforme estatísticas de 2025.
- Críticos e membros de entidades ligadas ao tema destacaram a necessidade de consultar adequadamente as comunidades e de analisar vieses internos do processo de nomeação, defendendo metas de diversidade com base em evidências.
- Também houve menção a ações paralelas, como discussão sobre transmissão ao vivo de sentenças pelo chefe de magistrados e a criação de um grupo de trabalho conjunto para ampliar a divulgação de decisões judiciais.
O objetivo do novo conselho judicial e legal de diversidade foi apresentado nesta semana, com a expectativa de acelerar o recrutamento de advogados de minorias étnicas e de origem operária para o Judiciário. O grupo, com funcionamento inicial em Londres, é chefiado por David Lammy e pela chefe de justiça Sue Carr.
O comitê de sete membros pretende destravar barreiras para candidatos sub-representados e aprimorar programas de mentoria para novos ingressos. A iniciativa surge após críticas de que planos de reduzir milhares de júris poderiam ampliar vieses raciais e de classe no Judiciário, ainda majoritariamente branco e de classe média.
O encontro de estreia ocorreu nesta quinta-feira, em Londres, com o objetivo de fortalecer ações bem-sucedidas de recrutamento recentes, que aumentaram o percentual de juízas e juízes do sexo feminino para 44%. Lammy destacou a importância do conselho para refletir a diversidade da sociedade britânica.
Perspectivas e contexto
Carr ressaltou que o fórum é bem-vindo para colaborar com as profissões jurídicas na oferta de oportunidades. Dados oficiais de 2025 indicam que a representação de juízes negros permaneceu em 1%, mesmo após campanhas de recrutamento. Reporte do Sutton Trust aponta predominância de formação em Oxford ou Cambridge entre 75% dos juízes seniores, além de dois terços terem estudado em escolas privadas.
O objetivo do grupo inclui estabelecer parcerias com advogados negros e de outras minorias, bem como profissionais de origens operárias, para fortalecer mentoria e apoio a novos membros. A UK Association of Black Judges informou que não pôde enviar representante à reunião inaugural, por ter sido convidada apenas três dias antes.
Cordella Bart-Stewart, presidente da associação, afirmou que as metas devem ser definidas pela Judicial Appointments Commission, responsável pela indicação de candidatos. A organização ressalta a necessidade de analisar processos internos e vieses que, segundo ela, continuam a excluir pessoas.
Representantes da Justiça e da reforma legal destacaram que novas medidas precisam ser acompanhadas de evidências de racismo estrutural no sistema. Um dos especialistas citados ponderou que mudanças sem base sólida podem não alterar efetivamente a composição judicial a longo prazo. A comissão responsável pela nomeação foi procurada para comentar.
Avanços e próximos passos
Ainda não há detalhamento público sobre como o novo grupo irá diferir de iniciativas anteriores, segundo analistas consultados. Também está em debate a possibilidade de ampliar a transmissão de trechos de sentenças proferidas pelo magistrado-chefe, com grupo de trabalho conjunto para avaliar o tema.
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