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DPU aponta novamente violação de direitos humanos no caso Tagliaferro

Defensoria Pública da União aponta violação de direitos humanos no caso Tagliaferro pela ausência de intimação pessoal para nova defesa

Órgão cita Constituição e tratados para apontar que direito à ampla defesa está sendo desrespeitado. (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)
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  • A Defensoria Pública da União pediu novamente para ficar de fora da defesa do perito Eduardo Tagliaferro, alegando que ele não foi intimado pessoalmente para escolher novos advogados.
  • Na petição apresentada nesta segunda-feira, o órgão cita trechos da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, que garantem ampla defesa e comunicação com o defensor.
  • A DPU afirma que, sem intimação pessoal, não há como alinhar a defesa técnica com as informações e perspectivas do réu, e diz não haver novas diligências a requerer.
  • Há controvérsia sobre Moraes destituir advogados e, ao mesmo tempo, intimar Tagliaferro por meio deles para constituir nova defesa, o que, para a DPU, exige intimação pessoal.
  • O caso envolve divulgação de mensagens do grupo “Vaza Toga” e a prisão de Tagliaferro em Caieiras (SP) por suposto disparo de arma de fogo; Moraes nega irregularidades.

A Defensoria Pública da União (DPU) voltou a pedir para ficar fora da defesa do perito Eduardo Tagliaferro, alegando falhas no processo de intimação para a escolha de novos advogados. A argumentação aponta que o réu não foi intimado pessoalmente para definir sua defesa, o que afeta o direito de contestar as acusações.

Na petição apresentada nesta segunda-feira, 4 de maio, o defensor público André Carneiro Leão cita dispositivos da Convenção Americana sobre Direitos Humanos para defender o direito de tempo adequado para a defesa e a possibilidade de o réu se defender pessoalmente ou com a assistência de um defensor de sua escolha. A DPU afirma não ter novas diligências a requerer, dada a ausência de intimação direta.

Leão ressalta que a ampla defesa envolve duas vertentes: a defesa técnica, realizada por advogados, e a autodefesa, que envolve a participação direta do réu. Alega que, sem intimação pessoal, a defesa técnica não pode alinhar-se com as informações desejadas pelo acusado, comprometendo o andamento do caso.

Contexto do caso

Tagliaferro é acusado de violar sigilo funcional ao divulgar mensagens de um grupo de servidores que, segundo o relato, indicavam atuação de Moraes na busca por pessoas relacionadas ao seu julgamento. O ministro nega irregularidades, e as mensagens integraram o que ficou conhecido como Vaza Toga.

A apreensão do celular funcional ocorreu após a prisão em Caieiras (SP) de Tagliaferro, sob a acusação de disparo de arma de fogo. A controvérsia envolve também a forma de intimação do réu para a designação de novos advogados. A defesa havia pedido carta rogatória ao governo italiano, mas Moraes decidiu pelo edital, alegando local incerto do réu. O edital é um instrumento excepcional no Brasil.

Consequências processuais

Em protesto, advogados destituídos deixaram de participar da audiência, levando à substituição pela Defensoria Pública. O defensor público Claudionor Barros Leitão, chamado às pressas, optou por não perguntar às testemunhas por não ter estudo aprofundado do caso. O ministro relator anulou a audiência, marcou outra e destituiu os advogados originais, nomeando a DPU para assumir a defesa. Isso manteve a DPU como representante formal no processo.

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