- Paquistão passou de aliado contornado a peça central nas negociações entre EUA e Irã, usando o estilo de diplomacia de Donald Trump para obter influência.
- O marechal Asim Munir, chefe do Exército, liderou um ano de aproximação, encontrando Trump e articulando ações de Washington com o Islamabad.
- Islamabad investiu em lobby em Washington e abriu contratos envolvendo mineração, petróleo e cooperação com criptomoedas, buscando ganhos econômicos e políticas favoráveis.
- O país manteve canais com Teerã, condenou as ações militares dos EUA no início de 2026 e ajudou a manter uma linha de comunicação entre as partes, ajudando na mediação do cessar-fogo com a Índia.
- O cenário é frágil: há ceticismo sobre a capacidade paquistanesa de entregar promessas, as relações com a Índia seguem como referência de parceria estratégica, e questões econômicas internas ainda pesam.
Pakistan emerge como interlocutor estratégico na cúpula entre EUA e Irã, consolidando uma virada diplomática que começou a se mostrar há dois anos. Islamabad passou a usar seu papel regional para influenciar decisões de Washington, mesmo diante de desconfianças sobre teias passadas de apoio a grupos insurgentes.
O responsável pela mudança é o general Asim Munir, atual chefe do Exército, que estruturou uma estratégia de aproximação com a administração de Donald Trump. Munir ampliou contatos de alto nível e manteve canais com Teerã, além de manter vínculos com aliados regionais, como Arábia Saudita e China.
A operação começou a ganhar contornos com visitas de alto nível a Washington e com a atuação de firmas de lobby ligadas a ambientes trumpistas. Islamabad também instrumentalizou acordos econômicos, oferecendo acesso a minerais, energia e agricultura, para sustentar a narrativa de parceria estável com os EUA.
Entre 2024 e 2025, o país se posicionou como mediador plausível em crises regionais e diplomáticas. Pakistan abriu espaço para diálogo com Trump, chegou a anunciar uma possível nomeação de Trump ao Nobel da Paz e consolidou a ideia de cooperação econômica como contrapeso a sanções anteriores.
A atuação paquistanesa coincidiu com desdobramentos sobre o Irã: Islamabad facilitou comunicações com Washington e com Teerã em momentos de crise, além de apoiar cessar-fogo e vias de desescalada. Em meio a tensões entre EUA, Irã e aliados regionais, Islamabad manteve-se como canal de negociação.
No terreno, o país mostrou capacidade de mobilizar recursos militares e diplomáticos para sustentar a trégua e a cooperação energética. Em paralelo, houve escalada de cooperação com países do Golfo e com parceiros estratégicos na região, ampliando a influência de Islamabad.
A avaliação norte-americana sobre o papel do Paquistão permanece dividida. Alguns analistas destacam potencial de mediação e ganhos econômicos, enquanto outros ressaltam incertezas sobre a capacidade de manter compromissos a longo prazo e de reduzir riscos de dependência externa.
Por fim, Islamabad sinaliza que a cooperação pode ampliar espaço geopolítico do Paquistão, mas que a sustentabilidade depende de avanços internos, como questões econômicas, políticas institucionais e transparência em negociações com parceiros externos.
Entre na conversa da comunidade