- O alto representante do Board of Peace, Nickolay Mladenov, disse à ONU que Hamas é o principal obstáculo à implementação do cessar-fogo em Gaza.
- Críticos dizem que o relatório é unilateral, colocando a culpa apenas em Hamas e omitindo falhas de Israel no cumprimento de suas obrigações.
- Israel continua a realizar ataques aéreos em Gaza e expandiu o controle de território além da linha de cessar-fogo acordada em outubro.
- A ajuda humanitária enfrenta entraves, com Israel relutando em permitir a entrada de dezenas de caminhões diários e restringindo itens “de uso dual”.
- O NCAG, painel de tecnocratas palestinos apoiado pelo Board, permanece sem poder de governança em Gaza, pois Israel não autoriza a entrada dos membros.
O Conselho de Paz, apoiado pelos Estados Unidos, atribuiu a Hamas a principal responsabilidade pela paralisação do acordo de cessar-fogo em Gaza. O alto representante para Gaza, Nickolay Mladenov, afirmou à ONU que o grupo não aceitava desarmamento verificado nem transferência civil de poder.
Críticos dizem que a visão do Conselho é desequilibrada e pode abrir caminho para uma nova escalada militar. Enquanto isso, Israel manteve ataques aéreos em Gaza e avançou para além da linha de cessar-fogo definida em outubro, elevando o controle territorial para além de 60%.
Israel também não cumpriu as obrigações de permitir a passagem de 600 caminhões de ajuda humanitária por dia e manteve restrições a itens de uso dual, dificultando o envio de água, equipamentos de construção e suprimentos básicos.
Contexto da trégua
Segundo documentos da estratégia de Mladenov, houve propostas para criação de um comitê de verificação de implementação, com supervisão multilateral da desarmamentação de Hamas. O conteúdo previa fases de entrega de armas, com timeline de 90 dias para armas pesadas.
Analistas divergem sobre o papel de Israel na paralisação. Alguns veem a narrativa do Conselho como um enquadramento que pode favorecer ações militares, caso a pressão internacional se reduza. Outros destacam que Hamas também não cumpriu integralmente as etapas da primeira fase.
Situação no terreno e perspectivas
A operação de busca por garantias de cessar-fogo deixa a população de Gaza em situação precária, com deslocados e dificuldades humanas. NCAG, órgão de governança criado pelo Conselho, permanece impedido de entrar em Gaza para iniciar a transição de poder.
Membros do NCAG seguem em Cairo, depois de reuniões em Bruxelas, sem conseguir retornar ou dialogar com a imprensa. Há relatos de quatro integrantes que chegaram a cogitar deixar o grupo diante da estagnação política.
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