- Jose Jeri, de 39 anos, foi removido do cargo pelo Congresso após quatro meses no governo, entrando para a lista de presidentes destituídos no Peru.
- A controvérsia principal envolveu reuniões secretas com o empresário chinês Zhihua Yang, o que alimentou o escândalo conhecido como “Chifagate”.
- Jeri pediu desculpas pelas reuniões, mas não conseguiu conter a pressão política antes das eleições presidenciais de abril.
- O Peru realizará eleições presidenciais em abril, em meio a uma temporada de instabilidade política.
Jose Jeri, presidente deposto do Peru, deixou o poder após apenas quatro meses no cargo, nesta terça-feira. Jeri, 39 anos, foi alvo de afastamento pela Câmara, entrando para a lista de lideranças removidas desde 2018. O afastamento ocorre no contexto de crise política recorrente no país.
O ex-presidente ascendeu ao poder em outubro, após a suspensão de Dina Boluarte. Era um dos mais jovens chefes de Estado do mundo e chegou ao posto sem vice-presidente atuante, herdando a linha de sucessão. Seu mandato ficou marcado por controvérsias einstabilidade.
Controvérsia central
Jeri ficou no centro de um escândalo envolvendo encontros não divulgados com o empresário Zhihua Yang, de origem chinesa. Yang é proprietário de redes de lojas e possui uma concessão de energia, sob escrutínio do estado. O caso contribuiu para o desgaste político do governo.
Durante uma reunião em um restaurante chinês, Jeri foi fotografado usando capuz, episódio que ficou conhecido como Chifagate. O ex-presidente pediu desculpas e afirmou não haver irregularidades, mas a pressão política aumentou com as eleições iminentes.
Contexto político e desdobramentos
Analistas destacam que a remoção reflete a volatilidade do cenário peruano, com eleições previstas para abril. A institucionalidade do país enfrenta críticas por parecer favorecer mudanças abruptas de governo pela maioria parlamentar. A saída de Jeri acena para nova fase eleitoral.
Segundo o analista Martin Cassinelli, da Atlantic Council, a legitimidade de Jeri sempre esteve frágil e a destituição pode ter resposta mais política que jurídica. Cassinelli também aponta um Parlamento com interesses divergentes e agendas eleitorais.
Caminho próximo para o Peru
O Peru entra em campanha presidencial com um quadro fragmentado e incertezas sobre a governabilidade do próximo presidente. A eleição de abril reúne um campo com várias candidaturas, dificultando maiorias estáveis para governar sem novas disputas de impeachment.
Jeri nasceu em Lima, formou-se em direito e ingressou no partido Somos Peru em 2013. Em 2021 entrou na Câmara dos Deputados, ocupando vaga herdada de Martin Vizcarra, ex-presidente do Peru. O caso de 2025 envolvendo alegações de agressão foi arquivado por falta de provas.
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