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APRIL passa a ter desmatadores como fornecedores após revisão de política

APRIL amplia fornecedores com IFP e Mayawana, reduzindo o corte de desmatamento para 2020 e gerando críticas de ONGs e riscos para compradores europeus

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  • A APRIL revisou sua política de sustentabilidade, suspendendo o SFMP e abrindo espaço para fornecedores como PT Industrial Forest Plantation (IFP) e PT Mayawana Persada (Mayawana), sob o argumento de alinhamento com padrões internacionais e segurança de fornecimento.
  • IFP e Mayawana, ambas em Kalimantan, acumularam desmatamento significativo; ONGs afirmam que a mudança afrouxa a linha de corte de desmatamento, reduzindo o corte para 2020, em vez de 2015.
  • Dados de navegação indicam que madeira de IFP já chegou a Futong Port, em Riau, em abril, com uso na produção começando em maio, antes de o fornecedor ser oficialmente anunciado.
  • Coalizão de 23 ONGs pediu a retirada de IFP e Mayawana, além da reinstalação do SFMP 2.0 com o corte de desmatamento de 2015; críticas dizem que a decisão é uma amnistia para os maiores desmatadores.
  • Após a revogação de licenças de 28 empresas pela Indonésia em janeiro de 2026, que afetou cerca de 15% do fornecimento de madeira da APRIL, a empresa afirmou buscar novos fornecedores para manter a estabilidade da cadeia de suprimentos.

O grupo APRIL, gigante de celulose e papel ligado à RGE, revisou recentemente sua política de sustentabilidade, suspendendo partes da SFMP 2.0, reduzindo o corte de desmatamento e anunciando a abertura de fornecimento a dois novos concessionários, IFP e Mayawana Persada, na Indonésia. A mudança ocorre diante de interrupções na cadeia de fibras após a perda de fornecedores de longo prazo.

ONGs e coalizões de defesa ambiental afirmam que a medida enfraquece salvaguardas históricas e amplia o risco de desmatamento. Elas criticam a inclusão de IFP e Mayawana, que tiveram grandes áreas desmatadas após 2020, como fornecedoras-chave para a produção de viscose.

O que mudou exatamente? APRIL diz que o recorte temporal foi alinhado a padrões internacionais, como EUDR e FSC, ampliando a lista de fornecedores elegíveis para incluir áreas convertidas antes de 2020. Ambientalistas contestam, apontando retomada de atividades de desmatamento após esse marco.

IFP começou a entregar fibras de madeira em maio de 2026. Dados de monitoramento indicam que embarcações com madeira de IFP viajaram a partir de março a abril de 2026 para o Porto Futong, em Riau, recebimento na base de Pangkalan Kerinci. A empresa afirmou que a primeira remessa chegou a Futong em abril e foi utilizada a partir de maio.

Mayawana deve iniciar fornecimentos em julho, após conclusão de diligências. Dados da Nusantara Atlas mostram que as duas concessionárias somaram perdas de quase 80 mil hectares entre 2015 e 2024, com maior parte após 2020. Entre 2023 e 2024, Mayawana liderou desmatamento entre os concorrentes.

Coalizão de 23 ONGs pediu a retirada de IFP e Mayawana e a reintegração da SFMP 2.0 com o corte de 2015. A organização Earthsight classificou a decisão como de curto prazo e prejudicial à integridade das políticas de desmatamento.

Como justificativa, APRIL afirma manter compromissos de não desmatamento e conformidade com EUDR, com rastreabilidade até o nível de compartimento. A empresa diz que auditorias independentes anuais serão públicas e que o sistema de suprimentos continua a ser monitorado.

Críticas ressaltam que cumprir o EUDR será desafiador, já que grande parte do desmatamento ocorreu após 2020. Observadores questionam a transparência dos mapas de compartimentos e da rastreabilidade completa até a origem.

A decisão coincide com incertezas sobre o abastecimento de fibras após a revogação, em janeiro de 2026, de permissões de operação de 28 empresas ligadas à cadeia de suprimentos de APRIL, abrindo espaço para novos fornecedores para manter a produção. A empresa afirma que a medida foi necessária para manter a estabilidade da cadeia de suprimentos.

Especialistas divergem sobre se a mudança representa reforma responsável ou anistia para desmatadores. Enquanto parte do setor vê como teste de compromisso, ONGs pedem salvaguardas adicionais para evitar novo desmatamento e proteger áreas de habitat de orangotango.

O impacto pretendido inclui manter a capacidade produtiva de APRIL nos complexos de Pangkalan Kerinci, ao passo que autoridades ambientais permanecem atentas ao cumprimento das normas e à integridade das cadeias de suprimento na região.

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