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Bienal Whitney 2026 explora cinco temas-chave

Whitney Biennial de 2026 investiga o legado do poder americano e o imperialismo, reunindo artistas globais e obras que questionam história e identidade

Installation view of Whitney Biennial 2026 Photograph by Darian DiCanno/BFA.com. © BFA 2026
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  • A 82ª edição da Whitney Biennial de 2026 abriu em um momento volátil, com 56 artistas, duplas e coletivos exibindo novas leituras sobre o que é “americano” e o poder dos EUA no exterior, sem tema oficial definido.
  • Os curadores convidaram artistas de Afeganistão, Chile, Iraque, Okinawa, Palestina, Filipinas e Vietnã para dialogar com artistas norte-americanos, trazendo perspectivas diversas sem reduzir tudo a identidades ou julgamentos morais.
  • Entre os destaques, há trabalhos que questionam o legado imperial, a história colonial e a relação entre natureza, tecnologia e urbanismo, com foco em situações históricas específicas e na vida cotidiana nas cidades.
  • Exemplos marcantes incluem a instalação de Emilie Louise Gossiaux em homenagem ao cão guia London, e “Requiem for the Insects” de Oswaldo Maciá, que mistura som, cheiro e imagem para refletir sobre a extinção de insetos.
  • A mostra também explora visibilidade, vigilância e formas de perceber o mundo, com obras que vão de esculturas com temática familiar e corporal a intervenções que reconfiguram a experiência do espaço público e da tecnologia.

A Whitney Biennial de 2026 abriu suas portas em um momento volátil, com acontecimento internacional recente no radar político. A mostra reúne 56 artistas, duos e coletivos, em uma leitura ampla sobre identidade norte-americana e a influência dos Estados Unidos no exterior, sem tema oficial definido este ano.

Os curadores Marcela Guerrero e Drew Sawyer guiaram o recorte, buscando vozes de lugares com laços históricos com o poder dos EUA. Obras de Afeganistão, Chile, Iraque, Okinawa, Palestina, Filipinas e Vietnã aparecem ao lado de artistas norte-americanos, em espaços distribuídos pelo museu.

O evento permanece aberto até 23 de agosto e ocupa pisos quatro a seis do Whitney Museum, com trabalhos que dialogam entre si, sem amontoamento. Cada participante tem espaço para várias peças, permitindo pausas entre as leituras das obras.

Interspecies e modos de ver

Na entrada, obras de Emilie Louise Gossiaux, de Nova Orleans, combinam cerâmica e desenhos em homenagem à cadela London, com uma instalação que funciona como uma espécie de santuário. A autora fala de linguagem para expressar vínculos intensos, incluindo a relação com animais.

Os trabalhos de Oswaldo Maciá, em diálogo com sons, esculturas e pinturas, tratam de extinção de insetos. Um conjunto de grandes telas e alto-falantes busca provocar reflexão sobre a perda de espécies, em uma experiência sensorial complexa.

Akira Ikezoe apresenta pinturas em que sistemas energéticos aparecem como diagramas, envolvendo criaturas como tatus e sapos. A ideia é questionar a fronteira entre natureza e cultura, inspirada em experiências de sua juventude no Japão.

História, cidade e poder

A sala de fotografias traz Mao Ishikawa, de Okinawa, que conecta discriminação nos EUA e em Okinawa por meio de imagens de soldados e comunidades locais, traçando paralelos históricos. Agosto Machado, falecido pouco após a abertura, que foi figura central da cena queer, é lembrado por uma instalação baseada em memória afetiva.

Ali Eyal, nascido no Iraque, cria uma leitura sombria de um parque de diversões, inspirada em lembranças de 2003, enquanto a presença de Aki Onda destaca uma peça sonora de José Maceda, com rádios que tocam simultaneamente para questionar a relação entre arte, política e propaganda.

Espaços públicos e corpo

No terraço, Nani Chacon utiliza iconografia Diné para dialogar com estruturas modernas como torres de transmissão, associando estética de crenças indígenas ao desenvolvimento urbano. Kelly Akashi recria uma lareira de sua casa atingida por incêndio, conectando memórias pessoais a referências de objetos familiares.

Ignacio Gatica mostra Sanhattan, uma visão crítica do distrito financeiro de Santiago com arranha-céus que parodiam o Manhattan, construção política surgida após a ditadura de Pinochet. Em Philadelphia, Emilio Martínez Poppe registra visões de funcionários públicos, enquanto David L. Johnson compila placas de regras de espaços privados.

Observação, vigilância e corpo em foco

Cooper Jacoby apresenta instalações com câmeras que veem os visitantes, alimentadas por IA treinada com dados de artistas falecidos. Climas de vigilância também aparecem em obras de Gabriela Ruiz, que usa neon, telas e uma figura de serpente para discutir controle e observação.

Leo Castañeda expõe um jogo interativo e mobiliário sob uma ótica de paisagem surreal, desdobrando uma experiência digital que reage às ações do público. Margaret Honda intervém com gels de iluminação aplicados a janelas das escadas, criando um gradiente de luz que acompanha o trajeto dos visitantes.

Corpo, gravidez e memória afetiva

Na sexta andar, a exposição junta temas de família, corpos e pertencimento. Carmen de Monteflores apresenta pinturas dos anos 60, lado a lado com esculturas de recém-nascidos da filha Andrea Fraser, criando diálogo entre sensualidade, afeto e maternidade.

Nour Mobarak envolve o corpo em processos de gestação, com séries de medidas do corpo em resina e peças sonoras que registram o cotidiano da gravidez. Já Young Joon Kwak trabalha com esculturas, espelhos e som para explorar identidades e comunidades queer e trans.

Circuitos de poder e visualidade

Kamrooz Aram, Anna Tsouhlarakis e Raven Halfmoon aparecem com propostas que vão do ritual ao contemporâneo, mostrando como a arte pode ampliar vozes marginalizadas. A curadoria equilibra propostas de alto impacto com leituras mais sutis sobre intervenções políticas e o legado da intervenção dos EUA no mundo.

A Whitney Biennial 2026 permanece como um panorama denso de operações artísticas que questionam a história, a colonização e as formas de ver e ser visto. A mostra convida à reflexão sobre os legados do globalismo e as novas formas de comunicar resistência e memória.

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