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Redes subterrâneas de fungos chegam a 100 quatrilhões de km, aponta estudo

Mapa global revela rede de fungos micorrízicos arbusculares com cerca de 110 quatrilhões de quilômetros, conectando plantas, nutrientes e carbono

Mapa-múndi com áreas terrestres coloridas em tons de azul e amarelo, indicando diferentes níveis de vegetação. Áreas cinzas representam gelo ou desertos, e o fundo é preto. O amarelo concentra-se em regiões tropicais e subtropicais, como Amazônia, África Central e Sudeste Asiático, enquanto o azul predomina em latitudes mais altas, como Canadá e Rússia
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  • Primeiro mapa global das redes de fungos micorrízicos arbusculares estima extensão total em cerca de 110 quatrilhões de quilômetros.
  • Fungos formam parceria com as raízes de plantas, aumentando a área de absorção e fornecendo mais de 80% do fósforo, além de distribuir água e carbono.
  • Estima-se que aproximadamente 70% das espécies de plantas mantêm essa relação; as redes são comparadas a um sistema circulatório do planeta e podem chegar a 10 metros de rede em uma colher de chá de solo.
  • Pradarias e campos naturais concentram cerca de 40% da biomassa mundial desses fungos; porém esses ambientes sofrem conversões para a agricultura e estão pouco protegidos.
  • Práticas agrícolas intensivas reduzem a densidade dessas redes em cerca de 47% em áreas de cultivo, impactando armazenamento de carbono e a disponibilidade de nutrientes para ecossistemas aquáticos.

O primeiro mapa global das redes subterrâneas formadas por fungos micorrízicos arbusculares aponta para uma extensão de aproximadamente 110 quatrilhões de quilômetros. O estudo, publicado na Science, revela a maior infraestrutura viva já estimada no planeta, ligada à maioria das plantas e ao ciclo de nutrientes.

Os fungos vivem nas raízes das plantas, formando hifas que se estendem pelo solo. Essa parceria, que existe há cerca de 475 milhões de anos, melhora a captação de água e fósforo, ao mesmo tempo em que recebe carbono resultante da fotossíntese.

A pesquisa reuniu dados de mais de 16 mil amostras de solo e utilizou modelos de machine learning para projetar a distribuição dessas redes em áreas ainda não estudadas. Imagens de mais de 300 mil hifas cultivadas apoiaram a calibração das estimativas.

Mapeamento

O estudo criou o primeiro mapa global dessa infraestrutura subterrânea. Além da extensão colossal, as redes correspondem a uma massa de carbono estimada entre 300 megatons, equivalente a várias vezes a massa de todos os humanos vivos.

Segundo os pesquisadores, as pradarias — ecossistemas dominados por gramíneas — concentram cerca de 40% da biomassa global de fungos micorrízicos arbusculares. Esses ambientes são, no entanto, pouco protegidos e vêm sendo convertidos para uso agrícola.

Impactos da atividade humana

A agricultura intensiva reduz a densidade dessas redes em média 47% em áreas cultivadas, quando comparadas a ecossistemas selvagens. Práticas como aração desestruturam o solo e prejudicam a conectividade micorrízica.

O estudo alerta ainda que fertilizantes e fungicidas podem interferir na parceria entre plantas e fungos. Em alguns casos, as plantas passam a depender menos da troca de nutrientes, enfraquecendo o sistema ao longo de milhões de anos de evolução.

Perspectivas e ações

Especialistas enfatizam que a descoberta não incentiva abandonar a agricultura moderna, mas sim buscar práticas que preservem as redes subterrâneas. O objetivo é aumentar a eficiência nutricional das plantas e reduzir a dependência de insumos.

Uma linha de atuação sugerida é promover técnicas que mantenham comunidades de fungos estáveis. Com isso, plantas obteriam nutrientes de forma mais natural, enquanto os fungos contribuiriam para o armazenamento de carbono no solo.

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