- Estudo publicado na Science mapeou pela primeira vez a densidade e a biomassa das redes micorrízicas arbusculares (AM) em escala global, gerando mapas por quilômetro quadrado.
- A pesquisa estima que, em um único punhado de solo, podem existir até dez metros de rede micorrízal.
- Essas redes movem cerca de quatro bilhões de toneladas de CO₂ equivalente para os solos anualmente, o que representa aproximadamente 11% das emissões humanas globais.
- Os mapas foram criados com dados de mais de dezesseis mil amostras de solo, de nove biomas, através de modelos de aprendizado de máquina e validação com imagens de mais de 300 mil hifas em laboratório.
- O conjunto de resultados está disponível no mapa interativo Mycorrhizal Infrastructure Map; pradarias respondem por cerca de quarenta por cento da biomassa, lavouras apresentam densidade quase metade da de ecossistemas selvagens, e noventa por cento dos hotspots de biodiversidade AM ficam fora de áreas protegidas.
A nova pesquisa mostra que as redes de fungos micorrízicos ficam sob os pés de praticamente toda planta terrestre. Estima-se que haja até 10 metros de rede micorrízica por colher de chá de solo, segundo o estudo publicado na Science.
Pesquisadores do SPUN e colaboradores mapearam, pela primeira vez, a densidade e a biomassa dessas redes amostrais globalmente. Dados de mais de 16 mil amostras de solo, coletadas em nove biomas, embasaram os mapas.
Os cientistas utilizaram modelos de aprendizado de máquina para prever densidade em áreas não amostradas e calibraram os resultados com imagens robóticas de mais de 300 mil hifas vivas de laboratório no AMOLF, em Amsterdã.
Principais descobertas
As redes micorrízicas são especialmente densas em pastagens, com 40% da biomassa global em ecossistemas de pradarias. Regiões com redes muito fortes incluem as áreas alagadas da África do Sul, os Everglades na Flórida e o Planalto Tibetano.
Lugares de cultivo, como lavouras, apresentam cerca de metade da densidade de redes observadas em ecossistemas selvagens, o que pode influenciar o armazenamento de carbono e o ciclo de nutrientes no solo.
O estudo revela que as redes movem aproximadamente 4 bilhões de toneladas de CO2 equivalente para o solo anualmente, cerca de 11% das emissões humanas globais associadas ao carbono.
Observações adicionais
O trabalho disponibiliza uma ferramenta interativa, o Mycorrhizal Infrastructure Map, que oferece estimativas para cada quilômetro quadrado de terra.
Conforme o texto técnico, comunidades micorrízicas associadas a plantas ajudam na troca de água e nutrientes por carbono assimilado pela fotossíntese, funcionando como um sistema circulatório vivo do planeta.
A equipe aponta que 90% dos pontos quentes de biodiversidade de AM ficam fora de áreas protegidas, indicando vulnerabilidade da infraestrutura fúngica mundial.
Contexto e próximos passos
Os autores ressaltam que mais pesquisas são necessárias para correlacionar práticas agrícolas à saúde das redes fúngicas. O estudo reforça a importância de incluir fungos em estratégias de conservação e clima sem enviesar áreas específicas.
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