- Narges Mohammadi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 2023, atua há décadas pela defesa dos direitos humanos e democracia no Irã.
- Encontra-se hospitalizada no Teerã Pars há uma semana, com sinais de infarto e perda de peso, após meses sem atendimento médico adequado; já passou 140 dias na prisão de Zanyán e mais quatro no hospital da cidade.
- Em 2010, ficou em regime de isolamento na prisão de Evin, lembrando-se de deixar os dois filhos mellizos de pouco mais de três anos em casa sem saber quando voltaria.
- A separação dos filhos, Ali e Kiana, e do marido, Taghi Rahmani, é um dos custos do ativismo; os filhos vivem exilados em Paris, enquanto Rahmani também vive no exterior.
- Mohammadi já passou 14 anos da vida em encarcelamento, intercalados por breves períodos de liberdade; retornou à prisão em novembro de 2021 após a publicação de seu livro Tortura Blanca e de um documentário sobre o tema.
Narges Mohammadi, vencedora do Nobel da Paz, vive há décadas sob pressão do regime iraniano por sua defesa dos direitos humanos e da democracia. Enfrentou torturas, isolamento e exílio familiar, mantendo a atuação mesmo diante de condições extremas.
A ativista já passou por perícias médicas precárias na prisão de Evin, onde recebeu tratamento para evitar desmaios sem que houvesse clareza sobre os cargos que pesavam contra ela. Em 2010, ficou isolada em uma cela sem janelas, separada dos filhos, durante meses.
Ao longo dos anos, Mohammadi enfrentou viagens entre prisão e hospital, com relatos de fraqueza física e perda de peso. Em paralelo, o regime impediu transferências para unidades especializadas, aprofundando uma batalha que envolve a família, a ONU e governos internacionais.
Contexto e antecedentes
Mohammadi iniciou sua trajetória de ativismo ainda jovem, em Zanyán, ao noroeste de Teerã, onde cresceu em meio a uma experiência familiar marcada por detenções. Aos 19 anos já mostrava personalidade determinada, participando de ações de resgate após desastres e envolvendo-se com jovens voluntários.
Detenções recorrentes marcam a vida da família. Seu marido Taghi Rahmani ficou três anos preso; Mohammadi enfrentou prisões e processos ao longo dos anos, incluindo períodos de afastamento dos filhos. Vez ou outra, o contato com a família foi interrompido por longos períodos de encarceramento.
A tortura branca e os impactos
A primeira experiência de isolamento total ocorreu em 2001, quando Mohammadi foi colocada sem acesso à luz, sem janelas e apenas com uma mínima abertura no teto. A prática, conhecida como tortura branca, provoca danos psicológicos profundos sem marcas visíveis.
Hoje, aos 50 anos, Mohammadi permanece sob acompanhamento médico constante. O impacto no corpo é preocupante, com relatos de deterioração física e dificuldades na comunicação durante visitas médicas recentes. Entre os familiares, a preocupação é constante com a continuidade da luta por direitos humanos.
Família e legado
O filho Ali Rahmani, hoje com 20 anos, relata que o corpo da mãe está mais fragilizado após períodos de internação. A irmã gêmea Kiana e o pai vivem no exterior, em Paris, refletindo o custo humano do ativismo. Mesmo em exílio, a família acompanha de perto a trajetória de Mohammadi.
Colaboradores próximos enfatizam a coragem e a dedicação de Mohammadi à causa, mesmo diante de riscos de novas detenções. Profissionais que trabalharam com ela destacam a capacidade de ouvir e apoiar outras prisioneiras, especialmente aquelas pressionadas por linguagem política e simbologias da oposição.
Repercussão internacional
A Nobel de 2023 recebeu apoio de governos e organizações internacionais, que pedem condições mínimas de saúde para Mohammadi e o respeito a processos legais. A situação na prisão de Zanyán e as condições de detenção permanecem em debate público, com chamadas para transparência e medidas humanitárias.
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