- A família de Narges Mohammadi informou que seu estado de saúde continua crítico, mesmo após a transferência para o hospital Pars, em Teerã, para tratamento urgente.
- A mobilização internacional, incluindo pressão de governos e organizações, levou à mudança de posição e à suspensão temporária da pena.
- Mohammadi, 54 anos, já perdeu cerca de 20 kg e enfrenta hipertensão, episódios de desmaio e dores no peito; possui histórico de problemas cardíacos e um stent.
- O advogado informou que houve suspensão temporária da condenação para tratamento médico, mantendo Mohammadi em liberdade provisória, com pedidos de liberação total e arquivamento das acusações.
- A família pede a libertação incondicional e o arquivamento de todos os cargos, ressaltando que defender direitos humanos não deve resultar em prisão.
A família da premio Nobel iraní Narges Mohammadi informou nesta segunda-feira que o estado de saúde da ativista continua crítico, mesmo após a transferência para um hospital de Teerã. O marido, Taghi Rahmani, descreveu a situação como “vida pendente” em nota pública.
Mohammadi foi levada de ambulância ao Hospital Pars de Teerã no domingo para atendimento urgente, após meses de pressão internacional e de avanços em diligências legais, que haviam sido negados pela Justiça local anteriormente.
Segundo a defesa, Mohammadi havia passado mais de uma semana em um hospital da província de Zanjan, próximo à prisão onde cumpre condena, recebendo poucos cuidados. A família alega agravamento do quadro de saúde ao longo do tempo.
A libertação temporária da pena ocorreu em função da mobilização internacional e de uma denúncia ao Alto Comissariado para os Direitos Humanos, segundo a advogada Chirinne Ardakani. Movimentos de apoio ocorreram de diversos países, incluindo Espanha, França e Canadá.
Em Espanha, o Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador do Irã para exigir a libertação imediata de Mohammadi, citando o estado crítico de saúde. Autoridades espanholas enfatizaram a necessidade de tratamento adequado.
Mohammadi, de 54 anos, já perdeu cerca de 20 kg no último mês e apresenta histórico de problemas cardíacos, hipertensão, episódios de desmaio e dor no peito. Relatos indicam sintomas de possível infarto, conforme documentos legais anteriores.
O advogado iraniano Mostafa Nil afirmou que há uma ordem de suspensão temporária da sentença para tratamento médico fora da prisão, com supervisão médica especializada, segundo avaliação institucional. A medida não é permanente e a defesa mantém o pedido de liberação.
A família, por meio da Fundação Narges, agradeceu o apoio internacional, mas disse que a suspensão da execução não basta. O objetivo é a libertação total e o arquivamento de todas as acusações, mantendo que defensores de direitos humanos não devem ser presos por ações pacíficas.
Rahmani ressaltou que Mohammadi não deve retornar às condições que prejudicaram sua saúde. Ele também pediu o arquivamento de todas as sentenças consideradas injustas e a libertação de todos os presos de consciência.
Contexto e detenção
Mohammadi recebeu o Nobel da Paz em 2023 pela defesa dos direitos humanos e das mulheres no Irã. Ela foi detida pela 14ª vez em dezembro de 2025, após quase um ano em liberdade condicional devido a questões de saúde. Em 2026, recebeu nova condenação, somando sete anos e meio à pena.
Ao todo, Mohammadi já cumpre 10 anos de prisão, com 18 restantes. As acusações incluem reunião e conspiração contra a segurança nacional e propaganda contra o Estado. A família aponta agressões durante o último arresto como fator agravante de seu estado de saúde.
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