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Desaparecimentos no México em ritmo alarmante, aponta relatório

Relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos aponta envolvimento de agentes estatais em desaparecimentos no México em ritmo alarmante, com conivência de organizações criminosas

Relatives of missing people march in Mexico City on 10 May. Since 2010, at least 27 people who were looking for lost family members have been killed.
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  • A Comissão Interamericana de Direitos Humanos afirma que haveria envolvimento de atores do Estado em desaparecimentos no México em ritmo “alarmante”, com evidência de cooperação entre crimes organizados e agentes públicos.
  • O país registra mais de 130 mil pessoas desaparecidas, principalmente nos últimos 20 anos, desde o início da guerra contra as cartéis, e há relatos de desaparecimentos cometidos por agentes do governo em quase igual medida aos realizados por criminosos em algumas regiões.
  • O documento aponta participação direta de agentes estatais em sequestros ou omissão diante dos crimes, além de recrutamento de promotores e autoridades de segurança por grupos criminosos.
  • Há controvérsia entre governo e organismos internacionais: o governo nega desaparecimentos forçados, enquanto as Nações Unidas sugerem evidências de prática disseminada ou sistemática; autoridades mexicanas contestam o diagnóstico.
  • O relatório destaca o impacto humano, com famílias organizando buscas, mortes de pessoas que buscam desaparecidos desde 2010, e cerca de 70 mil corpos não identificados sob custódia estatal, evidenciando impunidade persistente.

O relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (IACHR) aponta que atores estatais estão envolvidos em desaparecimentos no México em ritmo alarmante. A investigação, à qual o Guardian teve acesso exclusivo, descreve a crise de desaparecimentos no país, com mais de 130 mil pessoas desaparecidas, principalmente nas últimas duas décadas.

Embora facções criminosas representem a maioria dos casos, o documento ressalta que muitos desaparecimentos cometidos por organizações criminosas ocorrem em conluio com agentes do Estado. Em algumas regiões, houve momentos em que os casos de Estado e de crime organizado quase se igualaram em número.

Contexto e respostas oficiais

O relatório também indica que desaparecimentos diretamente realizados por agentes estatais ainda não foram erradicados, com casos em que o Estado esteve envolvido de modo indireto, ao não agir diante de crimes. A IACHR afirma ainda que o crime organizado recruta agentes de segurança, forças de ordem e até autoridades políticas.

O governo de Claudia Sheinbaum rebateu as acusações. Em resposta a sinais de possível desaparecimento forçado, a Presidência afirmou, em diversas ocasiões, que não há esse tipo de prática no México. A ONU, por sua vez, sinalizou indícios de desaparecimentos forçados como crime contra a humanidade, o que também foi rejeitado pelo governo mexicano.

Organizações de direitos humanos destacam que a reação oficial tem subestimado a dimensão do problema. Em março, autoridades apresentaram um relatório indicando que um terço dos casos carecia de dados suficientes, e que quase 40 mil pessoas continuam sem identificação.

Impactos humanos e judiciários

A IACHR sustenta que, diante da magnitude e da fraca resposta estatal, famílias passaram a se organizar para buscar seus entes perdidos, enfrentando obstáculos institucionais e riscos à vida. Registra ainda que, desde 2010, pelo menos 27 pessoas que buscavam familiares foram mortas, na maioria mães.

O relatório reconhece avanços recentes, como a reativação da Comissão Nacional de Busca e o reconhecimento da crise como humanitária. No entanto, a forense no país permanece crítica, com cerca de 70 mil corpos em custódia estatal ainda não identificados.

Segundo a IACHR, a impunidade é um entrave central. Desde 2014, apenas 357 pessoas foram acusadas pelo crime de desaparecimento ou desaparecimento forçado, e das quais apenas 9 foram condenadas.

Dados adicionais e próximos passos

O documento enfatiza a necessidade de ações firmes para interromper conluios entre crime organizado e autoridades, bem como de melhorias significativas na identificação de vítimas e na responsabilização de agentes públicos. As organizações de direitos humanos continuam pedindo transparência e proteção às famílias que buscam seus entes.

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