- Sadia Moalim Ali, 27 anos, motorista de riquixá, foi detida em 12 de abril por críticas ao governo e permanece na prisão central de Mogadíscio.
- Ela afirma ter sido despida por dois guardas, espancada com bastão e mantida dois dias em cela pequena monitorada por CCTV, sem comida.
- Alega ainda ter ficado em confinamento solitário por dois dias, sem acesso ao banheiro ou a itens básicos.
- Segundo a Amnesty International, a polícia recebeu autorização da corte para mantê-la por noventa dias em investigação; defensores pedem libertação imediata.
- Grupos de direitos humanos e oposicionistas dizem que a detenção é ilegal e destacam abusos contra mulheres em prisões somalis.
Sadia Moalim Ali, 27, motorista de rickshaw e graduada em enfermagem, permanece detida na prisão central de Mogaedishu após participar de protestos pacíficos contra o governo da Somália. Ela afirma ter sido torturada por guardas durante a detenção policial iniciada em 12 de abril e transferida para a prisão no dia 14 de abril.
A jovem foi detida por críticas públicas ao governo federal em redes sociais, onde denunciou supostos casos de corrupção, nepotismo, desalojamentos forçados, desemprego juvenil, tributos e preços elevados de combustíveis. Segundo ela, permaneceu sem audiência formal, sem acesso a advogado designado e pressionada a assinar documento sem entender.
De acordo com Ali, o interrogatório e a detenção ocorreram sem devido processo legal. Em entrevista gravada na prisão e veiculada por uma emissora local, ela relatou ter sido levada a uma cela pequena com supervisão por CCTV, desnudada, agredida e mantida sem alimentação por dois dias, além de ter sido colocada em isolamento por igual período.
A detenção é acompanhada por organizações de direitos humanos, que contestam a legalidade do cárcere. A Amnesty International citou autorização judicial para manter a detenção por 90 dias para investigações. O governo não respondeu aos questionamentos deixados pela imprensa.
Ali descreveu ainda as condições degradantes da cela conhecida como a chamada cella della morte, reservada a punições severas. Pesquisadores que já passaram pela prisão relatam piso com óleo e sal, mau cheiro intenso e ambiente extremamente quente. Ali afirmou compartilhar a cela com outras 38 prisioneiras, sem ventilação adequada e com dificuldades para dormir.
A família de Ali depende financeiramente de sua renda para sustentar uma filha de 11 meses. A antiatividade da jovem e as consequências de sua detenção ampliam o debate sobre o tratamento de ativistas e jornalistas na Somália, tema já avaliado por organizações internacionais como violação de direitos humanos.
Diversos atores, entre ex-funcionários do governo, parlamentares da oposição e defensores de direitos humanos, pedem a libertação imediata de Ali, descrevendo a detenção como ilegal e apontando abusos durante o tempo de detenção. Em contrapartida, autoridades não se pronunciaram sobre o caso até o momento.
Entre na conversa da comunidade