- Estudo da Universidade de Oxford analisou 205 cidades com mais de um milhão de habitantes para avaliar risco de ondas de calor e vulnerabilidade populacional; Basra, no Iraque, aparece como a de maior risco.
- Na América Latina e Caribe, Barranquilla (Colômbia) lidera a região na 11ª posição global; Manaus, no Brasil, é a cidade brasileira mais vulnerável, em 27ª posição mundial.
- Entre as cidades brasileiras citadas no ranking estão Belo Horizonte (66), Fortaleza (67), São Paulo (77), Rio de Janeiro (83), Brasília (88), Recife (89) e Salvador (93); Curitiba (119) e Porto Alegre (120) também aparecem.
- O estudo aponta que mais de 95% das cidades mais expostas a ondas de calor ficam no sul e sudeste da Ásia e na África Subsaariana; a vulnerabilidade envolve combinação de calor, renda, infraestrutura e serviços públicos.
- A organização PxP destaca que o risco decorre de fatores socioambientais e defende estratégias de adaptação centradas na cidadania, com exemplos de sucesso regional como Bogotá, Medellín, Santiago, Buenos Aires, Cidade do México e Montevidéu.
O Brasil tem 11 cidades entre as mais ameaçadas por ondas de calor, aponta estudo da Universidade de Oxford. A análise avaliou 205 cidades com mais de 1 milhão de habitantes. O levantamento foi publicado na revista Sustainable Cities and Society.
Segundo a pesquisa, Basra, no Iraque, aparece como a cidade de maior risco. Índia, Paquistão, Nigéria e Gana concentram o maior número de municípios com pontuações elevadas de risco. Mais de 95% das áreas vulneráveis ficam no sul e sudeste da Ásia e na África Subsaariana.
Entre cidades globais de referência visitadas pelo ranking, Cairo, Bangkok, Hanói e Jaipur aparecem entre as 50 primeiras posições. O estudo reforça que o calor extremo costuma coincidir com alta vulnerabilidade social e capacidade de resposta limitada.
A vulnerabilidade no Brasil e na América Latina
Barranquilla, na Colômbia, lidera a região da América Latina e do Caribe em posição global, ocupando a 11ª colocação. Manaus (AM) é a cidade brasileira mais vulnerável, aparecendo em 27º lugar no ranking mundial.
Outras cidades da região aparecem ao longo do ranking, como Goiânia, Fortaleza, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Salvador e Brasília. Além disso, cidades como Lima, Bogotá, Caracas e Montevidéu também aparecem na lista regional.
Para a PxP, a organização brasileira que integra Periodistas por el Planeta, o risco não decorre apenas de temperatura, mas da combinação de fatores socioambientais que afetam a população, especialmente crianças e idosos.
Desafios e caminhos para adaptação
O estudo aponta que vulnerabilidade é agravada pela inflação energética, tarifas elevadas e falta de infraestrutura para suportar picos de demanda. A deficiência de cobertura arbórea acentua as ilhas de calor em áreas periféricas.
As conclusões indicam que estratégias de adaptação precisam partir de soluções locais, com governança mais transparente e participação cidadã. Modelos de smart cities importados podem falhar se não considerarem desigualdades regionais.
O que pode mudar
Entre as propostas estão o fortalecimento de redes elétricas locais, reflorestamento urbano em bairros periféricos e normas de construção baseadas em design bioclimático. Tais medidas visam reduzir a dependência de ar-condicionado e ampliar a resiliência climática.
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