- Fotografia um morcego-mamilo longo mexicano (Choeronycteris mexicana) alimentando-se de néctar de agave no Deserto de Sonorã, em Arizona, capturada em 2019 por Peter Hudson.
- Os morcegos têm língua de quase oito centímetros, com protuberâncias que ajudam a sugar néctar e, assim, disseminar pólen para polinizar o agave próximo.
- A demanda por mezcal cresceu mais de setecentos por cento na última década, incentivando o cultivo de agave, mas reduzindo o agave silvestre e potencialmente causando desmatamento.
- Em Matatlán, região produtora de mezcal, o desmatamento ligado à produção entre 2000 e 2012 foi de cerca de trinta e seis por cento; em outras regiões, há sistemas agroecológicos que reservam trinta por cento das plantas de agave aos morcegos, limitando a colheita para setenta por cento.
- O morcego-mamilo longo mexicano é listado como quase ameaçado pela Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza.
O morcego mexicano de língua longa é visto em ação. Em 2019, foto de Peter Hudson mostra o animal voando entre as flores de uma planta de agave, no Deserto de Sonora, próximo à fronteira EUA-México. A espécie usa a alimentação para atingir o néctar e transportar pólen.
Hudson, professor de biologia da Penn State, descreveu o momento como um passeio rápido do morcego, que mergulha entre as flores em busca de néctar. A imagem evidencia o papel crucial do morcego na polinização do agave, planta-chave na produção de bebidas.
O agave é base para tequila e mezcal, bebidas tradicionais mexicanas. A demanda global por destilados aumentou de forma expressiva nos últimos anos, com crescimento de 700% na produção de mezcal na última década, segundo dados citados pela reportagem.
Essa demanda impacta as três espécies polinizadoras do agave: o morcego-papo-de-lado mexicano, o morcego-de-pé-longo menor e o morcego-de-pé-longo maior. O aumento da plantação de agave favorece a indústria, porém reduz a disponibilidade de agave silvestre.
A expansão da cultura do agave tem relação com desmatamento e queda de vegetação nativa, ainda sem levantamento definitivo de sua extensão. Estudos citados indicam que o manejo pode afetar ecossistemas locais e espécies associadas.
Em Matatlán, região produtora de mezcal no sul do México, houve perda de floresta associada à expansão das plantações entre 2000 e 2012, estimada em cerca de 36%. Em outras áreas, práticas agroecológicas reservam até 30% das plantas para morcegos, limitando a colheita para o mezcal.
A espécie do morcego mexicano é atualmente classificada como quase ameaçada pela IUCN, conforme página oficial da lista de espécies. A proteção de habitats naturais continua sendo tema central para a conservação da polinização de agaves.
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