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Embalagens plásticas de alimentos cobrem litoral mundial, aponta estudo

Estudo global aponta embalagens de alimentos como principal tipo de lixo plástico nas praias, com padrões de poluição semelhantes em mais de 100 países

Plastic bottles and debris blanket the shoreline in Cap-Haitien, Haiti, on March 10, 2022. Image by AP Photo/Odelyn Joseph.
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  • Estudo publicado no One Earth, em 20 de maio, analisou dados de cento e doze países e cinco mil e trezentas sondagens de lixo nas praias para criar um índice global do macroplástico por tipo de uso.
  • Constatou que plásticos de alimentos e bebidas são o tipo de lixo mais comum em noventa e três por cento dos países pesquisados, com embalagens de alimento, tampas e garrafas entre os itens mais encontrados.
  • Nos cinco países mais populosos — China, Índia, Estados Unidos, Indonésia e Paquistão —, embalagens aparecem entre os três itens mais frequentes, seguidos por sacolas plásticas e cigarros.
  • Especialistas destacam padrões de poluição semelhantes globalmente e afirmam que gestão de resíduos sozinha não basta; é necessário reduzir a produção e desenhar plásticos com o fim de vida em mente.
  • O estudo ocorre em meio a negociações do tratado global sobre plásticos da ONU, que tem avançado de forma interrompida; recomenda políticas para evitar produção desnecessária, redesign de produtos e responsabilidade do produtor.

Um estudo publicado em 20 de maio na revista One Earth revelou que o embalamento de alimentos é uma das principais categorias de poluição plástica nas praias ao redor do mundo. A pesquisa analisou dados de 112 nações e 5.300 levantamentos de lixo costeiro, gerando o primeiro índice global de macroplástico por tipo de uso.

Entre os países pesquisados, plastics de alimentos e bebidas foram o tipo de lixo mais comum em 93% deles, com embalagens, tampas e garrafas entre os itens mais recorrentes. Mesmo nas cinco nações mais populosas — China, Índia, EUA, Indonésia e Paquistão — as mesmas tendências aparecem.

Max Richard Kelly, da University of Plymouth, no Reino Unido, é o principal autor. Ele disse que não surpreende a alta incidência de plásticos de consumo em praias, mas ficou impressionado com a consistência do padrão entre países. As semelhanças apontam para um problema global de produção e descarte.

Contexto global e governança

O estudo ocorre em meio a negociações internacionais sobre um acordo global sobre plásticos, que tem enfrentado impasses entre prioridades de gestão de resíduos e redução da produção. As evidências apresentadas podem guiar decisões do setor sobre onde concentrar esforços para reduzir a poluição.

Kelly afirma que os padrões de poluição são replicados amplamente, independentemente do nível de infraestrutura de reciclagem. Segundo ele, é necessário limitar a produção de plásticos evitáveis e exigir que produtos essenciais sejam desenhados para o fim de vida desde o início.

Limites de soluções atuais

Carmen Morales-Caselles, professora associada da Universidade de Cádiz, liderou avaliação global anterior e concorda com as novas conclusões. Ela aponta que ações como limpeza de praias e reciclagem ajudam, mas não acompanham o ritmo da produção. Reduzir a produção desnecessária e melhorar o design de produtos pode trazer benefícios maiores.

O estudo também alerta para impactos nos ecossistemas costeiros, como manguezais, pradarias marinhas e recifes de coral, que funcionam como sumidouros de carbono e áreas de cria de organismos marinhos. Plásticos podem sufocar raízes, reduzir a penetração de luz e degradar habitats.

Caminhos possíveis

Muhammad Reza Cordova, pesquisador do BRIN, destaca que comunidades de baixa renda dependem mais de embalagens únicas por custo. Em vez de proibir itens, ele sugere sistemas de refil, compras a granel e responsabilidade estendida do produtor, para tornar alternativas acessíveis sem transferir custos para consumidores.

A pesquisa reforça a necessidade de políticas que ataquem a origem do lixo plástico, não apenas soluções de fim de linha. Com a produção de plástico em alta, as evidências apontam para mudanças estruturais no design, na cadeia de consumo e na responsabilização de fabricantes.

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