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Quênia aumenta coleta de dados sobre frota artesanal para melhorar a pesca

Kenya amplia coleta de dados da pesca artesanal com rastreadores em 150 barcos e banco de dados central, para orientar decisões e melhorar a sustentabilidade

A fisherman walks, left, with his catch as needlefish hang at right at the Shimoni port, in Kwale county, Kenya
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  • Kenya está implementando um projeto de dados pesqueiros para melhorar a coleta, harmonização e acesso às informações, inspirado no programa de Timor-Leste, com rastreadores em 150 embarcações e 30 enumeradores.
  • As unidades de manejo de praias (BMUs), junto com o KeFS, passaram a coletar dados digitalmente desde 2022, enfrentando desafios como financiamento, infraestrutura, capacidade e literacia entre os pescadores.
  • Tracker solares nas embarcações transmitem dados em tempo real, e há um aplicativo simplificado para que os proprietários registrem tipo e peso do pescado, com dados integrados à plataforma Peskas.
  • Os dados devem ajudar a entender padrões de pesca, CPUE e localização de pesca, contribuindo para a gestão sustentável e o desenvolvimento de um plano espacial marítimo.
  • O projeto também visa reduzir a pesca ilegal, não reportada ou não regulamentada, ao permitir monitoramento das atividades das frotas e, no futuro, apoiar políticas de conservação marinha.

Mohamed Mwazigona, pescador de 58 anos de Mtwapa, na costa norte do Quênia, reuniu-se com a tripulação após uma manhã de pesca pouco produtiva: apenas 2 kg de peixe. O objetivo é aumentar as capturas com dados melhores e decisões mais informadas sobre onde pescar.

Conforme enfrentam maior concorrência, bombeiam-se dados para informar políticas públicas. BMUs, unidades locais de gestão costeira, têm mandato legal para coletar informações sobre tipos e peso das capturas, visando orientar a gestão das pescarias de pequena escala.

O projeto de coleta de dados é promovido pela WorldFish, com apoio de entidades públicas, para harmonizar informações, torná-las acessíveis aos pescadores e ao governo e, assim, reduzir a pressão sobre stocks marinhos. A iniciativa faz parte do programa Asia–Africa BlueTech Superhighway.

Paralelamente, o esforço é inspirado no programa Peskas, parceria entre WorldFish e o governo de Timor-Leste, iniciado em 2016, que hoje funciona como sistema nacional de monitoramento pesqueiro. A experiência serve de referência para o Quênia e outros países.

Até o momento, 150 barcos ao longo da costa queniana ganharam rastreadores instalados e receberam aplicações simples para registrar tipo e peso das capturas. Além disso, 30 recenseadores financiados pelo governo trabalham em pontos de desembarque para reforçar o fluxo de dados.

Em Mombasa, Emmanuel Mbaru, cientista sênior da WorldFish, explica que os dados serão disponibilizados aos pescadores por meio da plataforma Peskas. Os dados incluem rotas, duração das viagens e estimativas de captura, além de métricas como CPUE, essencial para avaliar a sustentabilidade.

Na prática, o sistema cruza dados de rastreadores com informações dos recenseadores, criando um retrato georreferenciado de onde a pesca ocorreu, quais equipamentos foram usados e quanto tempo cada pescador passava no mar. Isso aumenta a precisão das estimativas de produção.

Em Mayungu, Malindi, o proprietário de três barcos Ahmed Bakari relata custos elevados e retorno curto: 2.500 shillings de combustível para uma pescaria que rendeu apenas 4 kg. Ele observa que o rastreador facilita o registro de áreas onde encontrou peixes, ajudando planejamento futuro.

Zachary Ogari, oficial da KeFS, acredita que os dados melhoram o acesso a informações por parte dos pescadores, como quais portos recebem mais capturas ou quais espécies estão mais presentes. A meta é consolidar um banco de dados sólido para orientar decisões locais.

A iniciativa busca também apoiar planos de uso do espaço marinho, com delineamento claro das áreas de atuação dos pescadores artesanais. Segundo Mbaru, a coleta de dados precisa contribuir para estratégias de conservação e de economia azul, equilibrando objetivos econômicos, ambientais e sociais.

Patrocinados pela WorldFish, os dados gerados não servem apenas para fiscalização. Segundo Mbaru, o uso cultural de dados enquadra práticas de gestão e de pesquisa, com visão de longo prazo para a pesca artesanal e para a proteção de ecossistemas costeiros.

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