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Oceano global enfrenta crise crescente, mas governança avança, aponta ONU

O oceano global enfrenta crise em aprofundamento, com aquecimento acelerado e poluição plástica, enquanto a governança avança, porém permanece fragmentada

Wild dolphins in New York Bight
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  • O terceiro Relatório da Avaliação Mundial dos Oceanos, divulgado em 8 de junho, envolve cerca de 600 especialistas de 86 países e cobre o período de 2021 a 2025, apontando uma crise profunda no oceano global.
  • Há avanços na governança com a análise de 57 acordos, incluindo o novo tratado sobre biodiversidade de áreas além da jurisdição nacional, mas as estruturas atuais continuam fragmentadas.
  • O aquecimento dos oceanos está acelerado: cerca de 16% do aquecimento desde 1955 ocorreu nos últimos oito anos; o ritmo de elevação do nível do mar chegou a 4,3 mm por ano em 2023.
  • Pescarias artesanais empregam mais de 60 milhões de pessoas e fornecem mais de 25 milhões de toneladas de alimento por ano, destacando a dependência humana do oceano e a vulnerabilidade de comunidades tradicionais.
  • Existem lacunas de conhecimento, especialmente sobre habitats profundos e espécies, e há preocupação com a mineração em grande profundidade; o mapeamento do fundo marinho alcançou apenas 27,3% em 2025.

O Global oceano enfrenta uma crise crescente, segundo um relatório das Nações Unidas, que aponta poluição, sobrepesca, aquecimento e mudanças climáticas como drivers-chave. O informe reúne contribuições de cerca de 600 especialistas de 86 países e cobre o período de 2021 a 2025.

O terceiro World Ocean Assessment destaca avanços na governança oceânica, com a revisão de 57 tratados ambientais, incluindo um acordo recente sobre biodiversidade em áreas além da jurisdição nacional. Ainda assim, os autores ressaltam que as estruturas existentes permanecem fragmentadas e limitadas frente aos desafios.

Análises apontam que o aquecimento dos oceanos ocorre em ritmo acelerado, com parte relevante do aquecimento global ocorrendo nos últimos oito anos. O relatório alerta para o aumento do nível do mar, que dobrou a taxa de elevação nos últimos dez anos, atingindo cerca de 4,3 mm por ano em 2023.

A poluição plástica continua em magnitudes alarmantes, com 52,1 milhões de toneladas de resíduos despejadas nos mares anualmente, afetando mais de 4 mil espécies marinhas, entre elas tartarugas, aves marinhas e peixes. O estudo enfatiza a necessidade de reduzir fluxos de plástico e melhorar gestão de resíduos.

O documento aponta lacunas de conhecimento, especialmente sobre habitats e biodiversidade em águas profundas. Apenas 27,3% do leito marinho havia sido mapeado até 2025, e existem preocupações sobre a vulnerabilidade de espécies profundas à pesca de arrasto. A mineração em mares profundos é destacada como ameaça crescente.

A relação entre saúde dos oceanos e bem-estar humano é enfatizada: a segurança alimentar, meios de subsistência, identidade cultural e prosperidade econômica dependem de ecossistemas marinhos saudáveis. As notas destacam a importância de populações costeiras indígenas e comunidades locais no acesso e na governança.

O relatório ressalta ainda a importância do conhecimento tradicional e dos povos indígenas para a governança marinha. Processos internacionais vêm incorporando essas perspectivas, com avanços como o reconhecimento de representantes de comunidades Inuit junto a organismos como a Organização Marítima Internacional.

Durante uma coletiva de imprensa no Dia Mundial dos Oceanos, oficiais destacaram a urgência das ações propostas. Profissionais de conservação enfatizaram que as ferramentas apresentadas no relatório podem anchor as primeiras soluções e orientar mudanças de curso.

Especialistas observam que, apesar dos desafios, há espaço para melhorias contínuas por meio de cooperação global, pesquisa e políticas consistentes. O documento recomenda fortalecer conservação, regulamentação e cooperação internacional para reduzir impactos humanos e preservar ecossistemas marinhos.

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