- Em outubro de 2015, ativistas indígenas de vários países se reuniram em Tanjung Tepalit, Borneo, para a WISER, contra o projeto Baram Dam que alagaria mais de 400 km² e deslocaria cerca de 20 mil pessoas.
- A campanha teve três pilares: resistência física liderada pelas comunidades, ciência independente para mostrar alternativas energéticas, e uma rede internacional de solidariedade que ampliou a atenção e pressionou financiadores.
- As ações incluíram bloqueios de estradas por 26 meses, estudos de campo que apontaram alternativas com energia solar, e a defesa de que a conservação da floresta é essencial para a economia e os direitos humanos.
- O governo de Sarawak decretou moratória em julho de 2015 e, em novembro daquele ano, o projeto foi suspenso; em março de 2016, a concessão formal do Baram Dam foi retirada.
- A história inspira movimentos globais: ativistas mostraram que, com resistência indígena, ciência robusta e solidariedade internacional, grandes barragens podem ser derrotadas e, em alguns casos, desmontadas, como ocorreu com barragens na região do Klamath, nos Estados Unidos.
Durante a reunião WISER em outubro de 2015, ativistas indígenas de diversos países se reuniram na aldeia Kenyah de Tanjung Tepalit, no Baram River, Borneo. O objetivo era enfrentar o Baram Dam, um projeto hidrelétrico de 1,2 GW que pretendia inundar mais de 400 km² e deslocar cerca de 20 mil pessoas.
Os participantes incluíam comunidades Kenyah, Kayan e Penan, além de representantes de religiões diversas. O grupo tratou da defesa de terras, culturas e modos de vida frente a um empreendimento apoiado pelo governo de Sarawak e alinhado ao SCORE.
A mobilização teve como pilares a resistência direta, evidências científicas independentes e solidariedade internacional. As lideranças locais, como James Nyurang, conduziram bloqueios que duraram 26 meses, enfrentando pressões e violência, para impedir a construção.
Defesa de territórios e ciência independente
Pesquisas independentes, lideradas pela doutoranda Rebekah Shirley, mostraram alternativas energéticas com menores impactos. O estudo apontou que solar, vento, micro-hidráulica e biomassa dariam conta da demanda, sem inundar vales.
O pesquisador Daniel Kammen apoiou a leitura de Viabilidade Regional, destacando que já havia energia suficiente com o Bakun Dam para atender o estado. A pesquisa reforçou o argumento econômico contra a continuidade do Baram Dam.
Paralelamente, a rede internacional liderada pela Borneo Project ampliou a cobertura midiática e o escrutínio financeiro de potenciais financiadores, fortalecendo a pressão para interromper o projeto.
O desfecho e o legado
Em 30 de julho de 2015, o governo de Sarawak anunciou moratória do Baram Dam. Em novembro de 2015 o projeto foi suspenso, e em março de 2016 a gazette de Baram Dam foi retirada. As áreas reservadas foram devolvidas às comunidades.
Berta Cáceres, líder indígena hondurenha presente no encontro, alertou sobre perigos e evidenciou a solidariedade internacional. Meses depois, ela foi assassinada, mas a luta contra os danos continuou a inspirar movimentos globais.
Os bloqueios terminaram, mas o modelo de resistência indígena liderada por comunidades, com apoio científico e rede internacional, foi consolidado como referência para lutas futuras contra grandes barragens.
Conexões globais e lições para o futuro
Em 2024, quatro barragens foram removidas no rio Klamath, nos EUA, marcando a maior retirada de barragens da história e renovando a discussão sobre recuperação de ecossistemas. O movimento Klamath serviu como exemplo para outras lutas, incluindo no Sudeste Asiático.
Apesar do Baram ter sido salvo, Sarawak mantém planos de hidrelétricas, com o projeto Baleh em andamento e propostas de barragens menores em outras bacias. A luta, portanto, permanece relevante, orientando estratégias coletivas.
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