- Pesquisa de Catherine L. Craig em Madagascar, iniciada em dois mil e quatro, ligou conservação à geração de renda com lagas silvestres de seda nativa, focando áreas de borda dos parques.
- O projeto CPALI Madagascar trabalha com produtores locais, criando empregos para mulheres artesãs, oficinas e desenvolvimento de produtos para mercados mais ricos.
- A estratégia inclui criação de espécies de seda nativa, cultivo de host plants, agrofloresta e biochar, com diversificação de atividades como raffia, tinturas naturais e tecelagem.
- Desafios persistem: instabilidade de mercados, quedas de preço de vanilla e necessidade de adaptação a ritmos e estruturas locais; o programa dependeu de liderança local e continuidade.
- Hoje, a gestão está sob liderança ma lagasy, com CPALI atuando em arrecadação e orientação, enquanto a equipe local continua a expandir tecidos, workshops e produção de novos produtos sustentáveis.
Catherine L. Craig transformou a ideia de conservação em lugar de renda para pessoas em Madagascar. Em 2004, iniciou trabalhos em Ranomafana e depois na região próxima ao Makira Natural Park, focando nas fronteiras das reservas, onde a vida rural depende de alternativas econômicas. A partir de então, a proteção do habitat ganhou viabilidade ao considerar as necessidades de agricultores locais.
A hipótese central era simples: se comunidades pudessem auferir renda com lagartas que produzem seda nativa e com as plantas que alimentam esses bichos, o habitat poderia ser valorizado e preservado. O projeto combinou pesquisa com desenvolvimento de produtos, formação de mulheres artesãs e construção de uma oficina para transformar cocoons, raffia, corantes e outros insumos em produtos de mercado.
Desenvolvimento, parceria e adaptação
O programa Conservation through Poverty Alleviation, CPALI, em Madagáscar, não se limitou à coleta de casulos. Envolveu manejo de espécies locais, manejo agrícola, reflorestamento e o estabelecimento de uma linha de produção que gera itens únicos para mercados mais ricos. A iniciativa também enfrentou obstáculos como variações de mercado, infraestrutura precária e alto custo logístico.
Mamy Ratsimbazafy, inicialmente assistente de campo, tornou-se figura central e depois diretor da organização parceira SEPALIM Madagascar. Lalaina Raharindimby liderou o componente de artesanato feminino e desenvolvimento de produtos. Com o tempo, o trabalho passou a abranger raffia, tingimentos naturais, tecelagem, agrofloresta e biochar, ampliando opções para produtores locais.
Desafios e legado
O projeto mostrou a fragilidade das economias rurais, reagindo a picos de preços de outros cultivos como a vanilla. Em resposta, a equipe diversificou atividades, buscando áreas com potencial de seda de morcego e adaptação a diferentes microclimas. A experiência evidenciou a importância de investimento local, planejamento compartilhado com lideranças comunitárias e atuação sem depender apenas de recursos externos.
Depois de mais de duas décadas, Craig afastou-se da liderança diária, destacando a necessidade de independência local. A transição fortaleceu a governança pela liderança malgaxe, com CPALI centrando-se em captação de recursos, aconselhamento e conexão com mercados. O trabalho permanece sob gestão local, com apoio estratégico da organização norte-americana.
Lições e perspectivas
Craig ressalta que a conservação associada a meios de subsistência requer tempo, autoridade local e desenvolvimento de produtos com valor agregado. O modelo mostrou que resultados duradouros dependem de demonstrações concretas, participação de autoridades comunitárias e adaptação às condições locais. O livro Nature’s Threads, de Craig, sintetiza esses aprendizados.
O caso também é acompanhado de lições para políticas de conservação: a importância de investir em comunidades, manter diálogo contínuo com jovens e idosos, e garantir que políticas protejam tanto a biodiversidade quanto a renda de quem vive da região.
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