- Estudo publicado na revista Nature analisou 25 áreas protegidas na Etiópia entre 2000 e 2020, mostrando redução de desmatamento e de expansão agrícola.
- As áreas protegidas reduziram a perda de floresta em cerca de 25% e a expansão agrícola em cerca de 44% frente a áreas não protegidas.
- Houve trade-offs: comunidades próximas, até 10 quilômetros, tiveram queda na segurança alimentar e no bem-estar material, apesar de algumas áreas apresentarem ganhos ambientais.
- Doze áreas apresentaram bom desempenho ambiental com custo social; cinco tiveram resultados “win-win” e três foram “lose-lose”.
- Os pesquisadores dizem que os ganhos para a natureza são robustos, mas defendem mais apoio, financiamento e políticas que reduzam custos locais e melhorem resultados para as comunidades.
O estudo publicado na revista Nature analisou 25 áreas protegidas na Etiópia entre 2000 e 2020, avaliando mudanças ambientais e bem-estar das comunidades vizinhas. Os pesquisadores observaram queda no desmatamento e na expansão agrícola, além de a manutenção de pastagens.
A pesquisa, realizada por equipes da Etiópia e do Reino Unido em parceria com a Ethiopian Wildlife Conservation Authority, mostrou que áreas protegidas reduziram a perda florestal em cerca de 25% e desaceleraram a expansão agrícola em aproximadamente 44% em relação a zonas não protegidas.
Além disso, áreas menos protegidas registraram queda na cobertura de gramíneas, enquanto houve ganhos ambientais significativos nas áreas de maior proteção. No entanto, os autores destacam trade-offs entre resultados ambientais e bem-estar humano.
Desempenho ambiental
Os autores enfatizam que as áreas protegidas mostraram maior efetividade do que o esperado, considerando pressões demográficas, expansão agrícola e demanda por terras. A proteção ambiental foi o resultado mais consistente entre as regiões estudadas.
Para entender a causalidade, os pesquisadores usaram um método quasi-experimental, comparando áreas protegidas com zonas não protegidas semelhantes e moradias próximas às áreas protegidas com as mais distantes. Isso ajuda a evitar interpretações precipitadas.
O estudo aponta que as áreas protegidas existentes em 2000 foram avaliadas sob o atual quadro institucional, com dados ambientais de 2000 a 2020/21 e de bem-estar entre 2011 e 2016. Os resultados são considerados robustos, apesar de limitações temporais.
Impactos sociais
Por outro lado, os resultados sociais indicam custos locais: famílias que vivem a até 10 quilômetros de áreas protegidas apresentaram menor segurança alimentar em comparação com grupos semelhantes mais afastados. O bem-estar material também caiu, enquanto a diversidade dietética não apresentou mudança clara.
Estimativas indicam que quase 3,9 milhões de meses-família com alimentação adequada a menos ocorreram entre comunidades próximas às áreas protegidas no período analisado. Os pesquisadores destacam que, apesar dos efeitos negativos locais, não é uma recomendação para abandonar a conservação.
A equipe ressalta que a conservação precisa ser acompanhada de maior apoio financeiro e de políticas que minimizem custos para moradores vizinhos, buscando reduzir impactos sem comprometer a proteção da biodiversidade.
Caminhos para mais ganhos
O estudo aponta que alguns territórios geraram resultados mais equilibrados, beneficiando tanto pessoas quanto a natureza. Esses casos ocorreram quando os objetivos de conservação estiveram mais alinhados aos sistemas de subsistência locais.
Os autores alertam que aumentar o orçamento de áreas protegidas sozinha não garante melhoria das condições de vida. A gestão precisa envolver governos, financiadores e organizações que atuem em conservação, segurança alimentar e desenvolvimento rural.
Até setembro de 2024, as áreas protegidas já ocupavam cerca de 9,4% do território etíope. A pesquisa alerta que ampliar a proteção pode enfrentar dificuldades, pois ecossistemas relevantes coincidem com áreas usadas para agricultura e pastagem, e a pressão sobre a terra tende a aumentar com o crescimento populacional.
A conclusão central é que expandir a proteção sem melhorar a gestão e mitigar custos locais pode comprometer a sustentabilidade ecológica e social. A recomendação é buscar estratégias integradas que apoiem comunidades e biodiversidade ao mesmo tempo.
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