- RAD 2025 aponta queda de 20,6% no desmatamento em 2025, totalizando 984.794 hectares; é a terceira queda anual consecutiva.
- Pantanal teve a maior redução proporcional (48,4%), enquanto a Amazônia caiu 23,5%; o Cerrado permanece como a maior área desmatada (540.614 hectares, 54,9% do total).
- Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) concentrou 40% da perda de vegetação nativa e 70% do desmatamento no Cerrado; o município com maior área desmatada foi Canto do Buriti, no Piauí (20.877 hectares).
- Em 2025, 99% da área desmatada esteve associada à expansão agropecuária, frente a 5% em 2019; indica pressionamento setorial específico.
- Avanços tecnológicos, dados públicos e ações administrativas contribuíram para a queda; contudo, há projeto de lei na Câmara que restringe embargos cautelares ambientais, o que pode impactar a fiscalização ainda necessária.
O MapBiomas informou algo inédito: pela primeira vez desde o início da série MapBiomas Alerta, a área desmatada no Brasil ficou abaixo de 1 milhão de hectares em 2025. Foram 984.794 hectares suprimidos, queda de 20,6% ante 2024. A marca encerra três anos consecutivos de redução.
Em termos diários, a área devastada somou, em média, 2.698 hectares por dia em 2025, ou 112 por hora. Nos sete anos anteriores, o país somou 10,9 milhões de hectares desmatados, uma área maior que Pernambuco. O patamar mundial ainda permanece o maior, mesmo com a mudança positiva.
O RAD 2025, relatório anual do desmatamento, mostra queda em todos os biomas. O Pantanal teve a maior redução proporcional, de 48,4%. A Amazônia registrou recuo de 23,5%. O Cerrado permanece como o bioma com maior área desmatada, 540.614 hectares em 2025.
Amazônia e Cerrado juntos responderam por mais de 84% da área desmatada. No Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), 40% da perda ocorreu, e 70% do desmatamento do Cerrado foi registrado ali. O município com maior área derrubada foi Canto do Buriti, no Piauí, com 20.877 hectares.
O mapa do RAD 2025 confirma a relação histórica entre desmatamento e expansão agropecuária: 99% da área desmatada em 2025 teve origem nesse vetor. Não representa toda a atividade agrícola, mas mostra onde a pressão é mais intensa sobre a vegetação.
Avanços tecnológicos e fiscalização
Desde o início do MapBiomas Alerta, a fiscalização se apoiou em sistemas de detecção por satélite, validação técnica e laudos de alta resolução. O cruzamento com cadastros públicos e o uso pelos órgãos ambientais ampliaram a efetividade das ações de controle.
A tecnologia não substitui o agente público, mas aumenta a capacidade de atuação. O Brasil, de tamanho continental, não tem fiscais suficientes para monitorar tudo. Ainda assim, é possível saber, quase em tempo real, onde houve supressão e se há autorização válida.
Essa abordagem permite priorizar operações, orientar fiscalizações presenciais e aplicar medidas administrativas para interromper danos. Em conjunto, as evidências elevam a chance de recuperar áreas já degradadas.
Legislação e desafios
O radar de fiscalização enfrenta resistência legislativa. A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que restringe medidas cautelares por órgãos ambientais, inclusive embargos baseados em monitoramento remoto. O texto segue para o Senado.
Defensores afirmam que a medida busca garantir direito de defesa e evitar erros. Entretanto, a cautela não deve frear ações rápidas quando há risco de dano ambiental. Embargos cautelares existem para interromper a degradação durante o andamento do processo.
Dados técnicos — imagens de satélite, validação e validação cruzada — são instrumentos para a fiscalização. Sua aplicação não impede o devido processo legal, mas facilita a identificação de situações que exigem intervenção rápida para conter danos.
Perspectivas e continuidade
O RAD 2025 aponta que a redução é positiva, mas o desafio persiste. Desmatamos quase 2.700 hectares por dia e metade dos municípios registrou ao menos um evento. O Cerrado, o Matopiba e áreas privadas sem autorização permanecem sob pressão.
Reduzir o uso de tecnologia seria contraditório aos resultados observados desde 2019. A combinação de dados públicos, satélites e ações remotas de controle tem sido essencial para estabilizar o avanço do desmatamento.
O país conta com um dos sistemas mais robustos de monitoramento ambiental do mundo. Manter essa capacidade e fortalecê-la é determinante para transformar a queda de 2025 em tendência duradoura, ampliando responsabilização e segurança para quem cumpre a lei.
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