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Bangladesh vira importador líquido de resíduos eletrônicos

Fiscalização fraca transforma Bangladesh em importador líquido de resíduos eletrônicos, com quarenta empresas operando sob HS 8549 e riscos ambientais e regulatórios

Limited recycling capacity and weak monitoring continue to fuel illegal imports and informal e-waste recycling in Bangladesh.
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  • Comércio ilegal de resíduos eletrônicos faz Bangladesh virar importador líquido de resíduos, mesmo com regras nacionais e compromisso com o Basel Convention.
  • Documento da National Board of Revenue (NBR) mostra 40 empresas importaram resíduos sob o código HS 8549 entre 2022 e 2025, violando tratados internacionais.
  • Indústria têxtil e de vestuário lidera entre os importadores, respondendo por cerca de 27% dos players, seguido por outros setores.
  • Estimativas indicam cerca de 14.985 toneladas de resíduos eletrônicos importadas nessa période, versus 4.040 toneladas de placas e resíduos exportados; o número pode subestimar o real fluxo.
  • Autoridades e organizações não governamentais apontam falhas de fiscalização e coordenação entre órgãos, com práticas informais de financiamento e controle fraco nas inspeções.

Bangladesh vê aumento de importação ilegal de resíduos eletrônicos, com fiscalização fraca favorecendo o comércio transfronteiriço. O país atua como importador líquido de e-waste, mesmo com normas existentes e compromissos internacionais.

Um levantamento da Mongabay, com base em documento da National Board of Revenue (NBR), aponta 40 empresas importando e-waste sob o código HS 8549 entre 2022 e 2025, violando regras da Basel Convention. O setor têxtil aparece entre os principais importadores, respondendo por cerca de 27% das entradas.

Envolvidos e cifras

Entre as empresas listadas, a Unilever Bangladesh Limited foi a única que respondeu até o momento, negando ter importado e-waste, afirmando que o item em questão era um load cell com código HS adequado. Outras companhias não se manifestaram até a publicação.

Dados revisados indicam que as importações sob HS 8549 somaram cerca de 700 mil dólares desde 2022, enquanto quase 15 mil toneladas de e-waste e sucata foram importadas, com apenas 4 mil toneladas de PCBs exportadas. A ONG TI Bangladesh alerta para subnotificação potencial.

Contexto regulatório e fiscalização

As autoridades reconhecem a fragilidade na fiscalização. O país permite importações de e-waste apenas quando necessárias e não prejudiciais ao meio ambiente, com itens como refreigeração antiga já banidos por riscos ambientais. Exportação de componentes recicláveis é permitida para alguns destinos.

Do Departamento de Meio Ambiente, o equivalente a um vice-diretor afirmou que o comércio ilícito ocorre mesmo com a adesão à Basel e à legislação local, e citou a necessidade de maior escrutínio sobre produtos classificados como e-waste.

Monitoramento e práticas informais

Estudos apontam falhas na identificação de cargas e na fiscalização de reformas de eletrônicos, mantendo o comércio ativo apesar da proibição formal. Pequenas e médias empresas do setor informal relatam transações financeiras questionáveis para obtenção de licenças ou para operar sem supervisão.

Especialistas destacam que a coordenação entre agências — DoE, NBR, BTRC e ministérios — é insuficiente, abrindo brechas para entradas legais, porém mal declaradas. A demanda é por ações administrativas mais eficientes e rápidas.

Conclusões operacionais

A insuficiência de auditorias detalhadas, combinada a recursos limitados, facilita o ingresso de resíduos perigosos. Analistas sugerem ampliação de vistorias, maior treinamento de fiscais e alinhamento entre registros aduaneiros e licenças ambientais para fechar lacunas.

O quadro indica risco ambiental e de saúde pública, com resíduos eletrônicos entre os mais problemáticos. O país mantém regras, mas a aplicação efetiva ainda depende de ações coordenadas entre órgãos reguladores e o poder público.

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