- Mais de 600 moradores de Chiang Mai e Chiang Rai participaram de uma marcha de seis dias e cerca de 68 quilômetros, que terminou em Chiang Rai no Dia Mundial do Meio Ambiente.
- Autoridades de saúde encontraram arsênio em duas pessoas que vivem perto do rio Kok; metais pesados também foram detectados na água e em peixes dos rios Kok, Sai, Ruak e Salween.
- O governo criou um grupo de trabalho para monitorar a contaminação no Kok River desde outubro de 2025 e tem mantido coordenação com países vizinhos.
- A poluição está ligada à mineração não regulada em Myanmar, com impactos sobre água, pesca, renda e saúde pública; mais de setenta milhões de pessoas dependem da bacia do Mekong.
- A Embaixada da China em Bangkok afirmou apoiar cooperação e investigações objetivas, enquanto críticos apontam que mineração ligada a partes da China alimenta a poluição; o governo tailandês solicitou mais ações.
Dois fatos centrais orientam a notícia: moradores do norte da Tailândia, apoiados por organizações civis, realizaram uma marcha de paz para cobrar ações do governo diante da contaminação de rios por metais pesados, com foco especial no Kok River. A caminhada durou seis dias, percorreu aproximadamente 68 quilômetros e terminou em Chiang Rai no Dia Mundial do Meio Ambiente, em 5 de junho de 2026.
O percurso saiu de Tha Ton, em Chiang Mai, e reuniu mais de 600 pessoas entre moradores, estudantes, monges e militantes, que reivindicam medidas contra o envenenamento gradual das águas, danos à saúde, à pesca e aos meios de subsistência locais. A mobilização foi organizada pela Rivers and Rights Foundation e outras organizações.
Além da ação cívica, autoridades de saúde confirmaram a presença de arsênico em dois moradores próximos ao Kok River, enquanto metais pesados foram encontrados na água e em peixes de rios da região, incluindo Kok, Sai e Ruak. A contaminação também envolve sedimentos do Mekong, elevando a preocupação transfronteiriça.
Contaminação transfronteiriça e minerais
O Kok River nasce em Myanmar e atravessa a fronteira para o território tailandês, passando por Chiang Mai antes de convergir ao Mekong. As autoridades atribuem parte do problema a operações de mineração não regulamentadas no leste de Myanmar, associadas a conflitos locais e à extração de minerais como terras raras.
Relatórios de junho de 2026 apontam que, em estudo com 424 moradores de Chiang Mai e Chiang Rai, os mais atingidos são agricultores com renda mensal baixa. A pesquisa indicou alterações no consumo de água e despesas para obter água limpa, além de perdas de renda mensais associadas à poluição.
Reação oficial e cooperação regional
O gabinete do Primeiro-Ministro informou que o governo instaurou um grupo de trabalho para monitorar a contaminação no Kok River desde outubro de 2025 e mantém cooperação com países vizinhos. O Ministério das Relações Exteriores afirma ter enviado equipes para tratar soluções internacionais, sem detalhar os países visitados.
A embaixada da China em Bangkok divulgou mensagem ressaltando que a água, em termos gerais, atende padrões de segurança e que Pequim apoia a cooperação entre Tailândia e Myanmar para investigar e resolver o problema por meio de consultas.
Papel das mineradoras e impactos locais
Especialistas destacam que o recente boom de mineração na região de fronteira alimenta a poluição, com metais pesados entrantes nos rios e impactos em água, peixes, alimentação e saúde pública. O contexto envolve empresas e grupos armados em Myanmar, com relações complexas de poder e território.
Estudos indicam que a cadeia de suprimentos de minerais críticos, incluindo terras raras, tem forte presença chinesa, o que amplia a pressão por rastreabilidade e responsabilidade ambiental ao longo das atividades minerárias. A função de fiscalização internacional é citada como essencial para prevenir danos adicionais.
Dados de saúde e vigilância
As autoridades de saúde revisam dados de saúde pública para mapear impactos em comunidades ribeirinhas. Um estudo de rápida avaliação detectou efeitos adversos sobre a água consumida por moradores e o custo mensal para acesso à água limpa, com reflexos diretos na renda familiar.
A campanha de conscientização e monitoramento busca ampliar a transparência, ampliar a vigilância da saúde e pressionar o governo a atuar na origem da contaminação, com fiscalização mais rígida de operações mineiras transfronteiriças e cooperação regional efetiva.
Perspectivas e próximos passos
Grupos da sociedade civil reforçam que ações no nível diplomático devem acompanhar medidas locais de controle de poluentes, rastreabilidade de minerais e responsabilização de emissões. A continuidade de monitoramento ambiental e de saúde é mencionada como crucial para mitigar impactos.
A Reuters não forneceu declarações adicionais neste artigo. As informações são baseadas em comunicados oficiais, estudos de saúde pública e registros de organizações envolvidas na mobilização.
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