- Um estudo mostrou que mosquitos Aedes aegypti podem aprender a associar o odor do repelente DEET à comida, alterando o comportamento alimentar.
- Os experimentos foram realizados em laboratório com mosquitos presos em gaiolas, observando o movimento do probóscide em direção a um saco de sangue.
- Após condicionamento Pavloviano, em que o DEET foi aplicado junto da alimentação, mais de sessenta por cento dos insetos tentaram se alimentar apenas ao sentir o cheiro do repelente.
- Em teste com a mão tratada, aproximadamente metade dos mosquitos treinados atacaram a mão com DEET; os não treinados preferiram a mão limpa.
- Os pesquisadores ressaltam que os resultados são em ambiente controlado e não refletem necessariamente o comportamento de mosquitos selvagens; ainda assim, sugerem possível vulnerabilidade dos repelentes.
Em laboratório, cientistas ensinaram mosquitos Aedes aegypti a associar o cheiro do repelente DEET à presença de comida. O objetivo foi entender se o odor do repelente pode ganhar valor positivo para os insetos, em vez de apenas mascarar o cheiro da pele.
A pesquisa aponta que mosquitos expostos ao DEET durante a alimentação passaram a ser mais agressivos ao sentir o aroma do repelente. O estudo envolve a espécie que transmite dengue, chikungunya e febre amarela.
O DEET é amplamente utilizado desde os anos 1950 e é considerado padrão-ouro entre repelentes. Autores destacam que o resultado é relevante para o entendimento do funcionamento do composto, embora valha apenas para condições de laboratório.
Como foi o estudo
Os mosquitos foram observados em gaiolas, diante de um saco de sangue quente. Após repetidos condicionamentos, o odor do DEET passou a estar associado à alimentação, elevando o interesse pelo alimento.
Em uma etapa, o repelente foi aplicado na mão de uma pesquisadora, que ofereceu a mão tratada e uma mão limpa aos mosquitos. Cerca de metade dos insetos treinados picou a mão com repelente.
Limitações e próximos passos
Os autores reforçam que os experimentos foram conduzidos com linhagens de laboratório, o que pode limitar a extrapolação para mosquitos selvagens. Ainda assim, os achados indicam que o cérebro do mosquito pode reescrever respostas com base na experiência.
Especialistas afirmam que a descoberta não altera a recomendação de uso de DEET, que continua sendo eficaz na proteção contra picadas e doenças transmitidas por mosquitos, em áreas de alta circulação viral.
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