- O corredor Yavarí-Tapiche, entre Brasil e Peru, abriga povos em isolamento e importantes florestas, sob ameaça de atividades extrativas.
- Um novo relatório conjunto aponta que blocos de óleo e gás se sobrepõem a 10% do corredor, afetando grande parte de áreas protegidas e de floresta intocada.
- No total, cerca de 16 milhões de hectares compõem o corredor, com 1,7 milhão de hectares de floresta úmida intacta e 713 mil hectares de áreas protegidas.
- Existem pelo menos 17 grupos isolados reconhecidos no lado brasileiro; no Peru, áreas de parcerias e reservas protegidas também convivem com concessões em estudo.
- Recomenda-se ampliar monitoramento indígena, apoiar infraestrutura e impedir novas concessões extractivas para reduzir riscos às PIACI e aos ecossistemas locais.
A região do Corridor Yavarí-Tapiche, que liga Brasil e Peru, está sob pressão de atividades extractivas e indústrias de grande escala, representando risco existencial aos povos PIACI e aos ecossistemas da floresta amazônica. O alerta vem de um relatório produzido por Earth Insight, ORPIO, COIAB e AIDESEP.
O estudo aponta sobreposição de blocos de petróleo e gás com 10% do corredor, que tem 16 milhões de hectares, incluindo áreas de floresta tropical úmida íntegra, áreas prioritárias de biodiversidade e zonas protegidas. A documentação alerta para danos irreversíveis.
De acordo com Edith Espejo, da Earth Insight, a pressão de hidrocarbonetos cresce no lado peruano do corredor, e a permissão de novos blocos poderia expandir impactos. A pesquisa também cita riscos de mineração e contaminação de cursos d’água.
O corredor abrange principalmente estados brasileiros do Amazonas e do Acre e departamentos peruano de Loreto e Ucayali. A área abriga grande diversidade de primatas e abriga pelo menos 17 grupos isolados reconhecidos no Brasil.
Na maior parte do território, 66% fica no lado brasileiro, com 90% sob algum status de proteção. No Peru, áreas protegidas se cruzam com reservas indígenas, entre elas comunidades reconhecidas como isoladas, com o processo de reconhecimento ainda lento.
As organizações ressaltam que reservas PIACI no Peru permanecem sem aprovação, o que aumenta o risco de vulnerabilidade a pressões externas e perda de habitat, com impactos em povos que vivem no isolamento.
Entre as ameaças, destacam-se planos de exploração de petróleo e gás em reservas PIACI, além de 13 concessões de mineração e 500 mil hectares de concessões de manejo florestal apenas no lado peruano. O risco de vazamentos persiste.
O relatório cita casos de poluição hídrica ligados a incidentes passados, como derramamento próximo ao reservatório Puinahua, e aponta que comunidades dependentes do rio sofrem com restrições de acesso à água e à pesca.
Para enfrentar os desafios, o estudo recomenda ampliar a monitorização indígena, fortalecer governanças locais e investir em infraestrutura básica, como eletricidade e conectividade digital, além de desmontar redes de mineração ilegal e tráfico.
Representantes indígenas defendem a suspensão de concessões extractivas em territórios dos PIACI e a revisão de concessões existentes, como caminho para reduzir impactos sociais e ambientais. A situação política brasileira e peruana complica a implementação de medidas.
Especialistas ressaltam que a instabilidade institucional recente em Peru, com uso de decisões políticas em detrimento de estudos técnicos, dificulta a proteção de territórios PIACI, exigindo vigilância e empenho de autoridades e organizações.
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