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Fumaça de incêndios atrasa avanço dos EUA na qualidade do ozônio, diz estudo

Fuma de incêndios florestais reverte avanços dos Estados Unidos na qualidade do ozônio desde 2015, aumentando riscos à saúde pública

A firefighter works as the Sandy fire approaches on 19 May 2026, in Simi valley, California.
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  • Um estudo publicado na Science mostra que, desde 2015, as queimadas intensas reverteram o progresso dos EUA na qualidade do ar com ozônio (O3).
  • A fumaça dos incêndios eleva a formação de ozônio local e pode aumentar a poluição a centenas de milhas de distância; as medições de solo são limitadas, com apenas 2% do território continental monitorado.
  • O estudo diz que o nível de O3, que antes caía em 0,65 ppb por ano, passou a subir 0,13 ppb por ano depois de 2015, atribuindo esse aumento às emissões de incêndios.
  • Para chegar aos resultados, os pesquisadores combinaram dados de satélite, da Agência de Proteção Ambiental (EPA) e meteorologia com modelos de aprendizado profundo, criando um conjunto de dados mais amplo.
  • Além de impactos na ozônio, a pesquisa associa incêndios a mortes prematuras, estimadas em 318 por ano desde 2013, reforçando a ideia de que reduzir mudanças climáticas e prevenir incêndios pode trazer ganhos significativos à saúde pública.

O estudo, publicado na revista Science, afirma que desde 2015 os grandes incêndios florestais reverteram avanços na qualidade do ozônio nos Estados Unidos. A fumaça de queimadas elevou emissões de precursores do ozônio, neutralizando parte das reduções já alcançadas.

Pesquisadores analisaram dados de satélite, medições da EPA e informações meteorológicas usando modelos de aprendizado profundo. A partir disso, constataram que o ozônio na superfície deixou de cair, mesmo com quedas em emissões de atividades humanas. O resultado é uma espécie de “platô” na tendência de melhoria.

Metodologia

Antes de 2015, o ozônio caía em média 0,65 ppb por ano; após esse ano, a taxa passou a subir cerca de 0,13 ppb por ano, segundo o levantamento. As estimativas são limitadas por o monitoramento terrestre cobrir apenas 2% do território continental dos EUA.

Os autores associam o aumento do ozônio às emissões de incêndios e à fumaça que se desloca para além da origem das queimadas. Em áreas distantes, a poluição local cresce mesmo sem mudanças nas atividades industriais.

Impactos e contexto

Incêndios recentes contribuem para um quadro de poluição mais persistente, com consequências de saúde pública. A fumaça contém PM2,5, partículas capazes de alcançar os alvéolos e a corrente sanguínea, associadas a várias doenças e óbitos prematuros.

A pesquisa aponta que a mortalidade associada ao ozônio aumentado ficou elevada, com centenas de óbitos anuais ainda sob análise. Dados disponíveis mostram que sistemas de monitoramento no país são restritos geograficamente, o que exige modelos para estimar a extensão da poluição.

No cenário global, incêndios de grande escala ganham força com o aquecimento, causando danos econômicos e riscos à vida. Casos recentes na Califórnia destacam temporadas de fogo severas e perdas de imóveis.

Especialistas ressaltam que reduzir as mudanças climáticas e investir em prevenção de incêndios pode trazer benefícios para a qualidade do ar. O estudo reforça a relação entre calor extremo, queima de materiais vegetais e poluição atmosférica a longo prazo.

As evidências destacam a necessidade de políticas públicas para mitigar impactos de fumaça em regiões distantes. A pesquisa reafirma que a poluição por ozônio é um problema multifator, exigindo ações coordenadas entre clima, energia e gestão de terras.

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