- A pesquisa indica que fungos mortais para anfíbios reduzem a defesa da pele quando a conexão entre floresta e água é rompida pelo desmatamento.
- Em 586 rãs de quatro espécies da Mata Atlântica de São Paulo, observou-se que quanto maior o habitat split, menor a participação de bactérias protetoras na pele.
- Espécies migratórias mostraram maior sensibilidade; algumas áreas fragmentadas apresentaram cargas mais altas do fungo Bd, principal agente de declínio de anfíbios.
- Rãs maiores, como Boana faber, sofreram menos, pois utilizam bromélias-tanque como micro-hábito úmido dentro da mata, funcionando como amortecedor.
- A conclusão: é essencial reconectar florestas e rios com corredores ecológicos e restauração de matas ciliares para manter a memória imunológica mediada por micróbios e a resistência aos fungos.
O estudo mostra que um fungo mortal para anfíbios encontra barreiras na conexão entre florestas e rios, deixando as rãs mais vulneráveis quando a mata e a água ficam desconectadas. A pesquisa é inédita e envolve várias espécies.
A equipe liderada por Daniel Medina e Guilherme Becker, da Penn State University, examinou 586 rãs na Mata Atlântica de São Paulo. O objetivo foi entender como a pele abriga bactérias protetoras contra o fungo Bd.
Os animais vieram de paisagens com diferentes níveis de ligação entre floresta e corpos d’água. O fungo Bd é o agente causador de declines em várias espécies ao redor do mundo.
Habitat split
O que aumenta a vulnerabilidade é o chamado habitat split, a separação entre abrigo e local de reprodução. O estudo verificou que, quanto maior a desconexão, menor a presença de bactérias protetoras na pele das rãs.
Quase todas as espécies analisadas mostraram redução dessas bactérias em áreas com forte fragmentação. Bolsterram os dados, mesmo ajustando fatores como densidade de bordas e cobertura florestal.
Implicações para conservação
Duas espécies migratórias apresentaram maior carga do fungo nas áreas mais fragmentadas, enquanto Boana faber resistiu melhor devido ao uso de bromélias-tanque como micro-habitat úmido.
Os resultados ressaltam que não basta preservar fragmentos isolados; é preciso reconectar floresta e rios. Corredores ecológicos e restaurações de matas ciliares são recomendados para melhorar a resistência.
A pesquisa reforça a ideia de que a saúde de animais selvagens está conectada à saúde da paisagem. Conservação efetiva envolve manter a conectividade entre ambientes e ciclos sazonais.
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