- O mico-leão-dourado brasileiro, Leontopithecus rosalia, é alvo de redes internacionais de tráfico que o vendem por até US$ 100 mil e o trasladam por carro, avião e mar aberto para o mercado asiático.
- Casos recentes apontam atuação em Suriname e Togo, com apreensões de tamarins e Lear’s macaws em 2023, e uma operação em Togo que acabou com 12 araras e 20 tamarins resgatados após 40 dias no mar.
- No Brasil, um motorista foi abordado pela polícia rodoviária federal com oito tamarins e três micos-pigmeus em carros, confessando ter recebido 25 mil reais para levar animais de Minas Gerais ao Pacaraima, na fronteira com a Venezuela.
- A rede é internacional e envolve líderes com documentos possivelmente falsos; um dos acusados, Alexander Levin, fugiu de Togo e é alvo de investigações, com vários presos no Brasil em desdobramento do caso.
- O tráfico envolve brechas da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e Flora Silvestres (CITES), que dificulta frear a exportação de espécies protegidas, especialmente por meio de criadouros licenciados usados para “lavagem” de animais apreendidos.
O tráfico internacional de micos-leões-dourados (Leontopithecus rosalia) envolve redes criminais sofisticadas que arrancam os animais de florestas no Brasil e os levariam para mercados asiáticos, atravessando América Latina, África e além. Os tamarins são transportados de carro, avião e até veleiros pelo Atlântico, com alta demanda e preços que chegam a US$ 100 mil.
Os envolvidos incluem ambientalistas, autoridades brasileiras e redes estrangeiras. Em 2023, a Polícia Federal brasileira apreendeu sete micos-leões-dourados e 29 araras-azuis de Lear em Suriname, sinalizando ligação com rotas transnacionais. Em 2024, Togol foi surpreendida com a mesma dupla de espécies a bordo de um veleiro.
Em fevereiro de 2024, autoridades repatriaram 12 araras e 20 tamarins encontrados em alto-mar, numa ação que envolveu a Polícia Federal, IBAMA e a Embaixada brasileira. A operação revelou uma rota de saída pelo litoral da África Ocidental até mercados internacionais.
No trajeto brasileiro, um motorista foi flagrado transportando oito tamarins dourados e três marmosetas pela BR-364, em Rondônia. Ele afirmou ter recebido cerca de 25 mil reais para levar os animais de Minas Gerais a Pacaraima, na fronteira com a Venezuela. O caso mostrou mais uma ligação ao circuito global.
Estrutura legal e rotas
Especialistas apontam falhas em serviços de fiscalização que permitem comércio irregular de animais protegidos pelo acordo CITES, no qual os tamarins constam do Anexo I. A legalidade de criaturas criadas em cativeiro é permitida apenas sob condições estritas, o que não se aplica aos animais apreendidos.
Relatórios indicam que saídas por Suriname e Guyana funcionam como pontos de la’ndamento para retirada e redistribuição de animais, com rotas que se cruzam com tráfico de drogas e mineração ilegal. Autoridades afirmam que documentos fraudulentos ajudam a encobrir o comércio.
A investigação brasileira aponta que grupos atuam com várias funções: captura, transporte e intermediação com compradores no Brasil e no exterior. Em alguns casos, utiliza-se a documentação de origem duvidosa para justificar a exportação.
Caso Togo e desfechos recentes
No caso de Togo, moradores viram dois homens abandonarem um veleiro com gaiolas de tamarins. A guarda costeira local prendeu os envolvidos, recuperando 17 tamarins, enquanto outros 3 morreram durante a viagem. O mestre da embarcação, Alexander Levin, fugiu para Gana, deixando para trás parte da carga.
Entre os envolvidos, Levin era apontado como responsável pela aquisição e comercialização dos animais. Documentos mostram passaportes forjados de Israel, Cazaquistão, Rússia e Bielorrússia. Levin já havia cumprido pena em Canadá e EUA por delitos envolvendo documentos falsos e se mantém foragido.
As autoridades brasileiras desencadearam operação policial que resultou na prisão de 10 pessoas em março de 2026, principalmente em Bahia. A maioria dos suspeitos já possuía histórico de crimes de tráfico de fauna. As investigações continuam para desarticular a rede transnacional.
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