- Estudo financiado por pesquisadores finlandeses expôs 123 abelhas de Bombus terrestris a um repelente de mosquitos contendo pralletrina, em diferentes durações (1, 10 ou 20 minutos) e com grupo de controle sem inseticida.
- Após a exposição, as abelhas foram liberadas a 1 quilômetro de suas colônias.
- Do grupo de controle, 16 abelhas retornaram para o ninho; 6 expostas por 10 minutos retornaram; 2 expostas por 20 minutos retornaram.
- Pesquisadores sugerem que a redução na taxa de retorno pode decorrer de disfunção na navegação espacial, memória, capacidade de voo ou uma combinação desses fatores.
- O estudo questiona a segurança de repelentes comuns para polinizadores, em contexto de aprovação da pralletrina pela União Europeia para uso por dez anos; testes laboratoriais não mostraram aumento da mortalidade, mas efeitos subletais permanecem pouco compreendidos.
A pesquisa aponta que um químico presente em repelentes de mosquitos pode desorientar abelhas-do-tamanho-Buff-tailed (Bombus terrestris), dificultando o retorno das operárias às tocas. O estudo foi conduzido na Finlândia com 123 abelhas expostas a um repelente de uso doméstico contendo pralletrina, um inseticida da classe piretróide.
Os experimentos dividiram os insetos em grupos: 44 expostos por 1 minuto, 35 por 10 minutos e 44 por 20 minutos, além de 43 animais no grupo de controle sem liberação do inseticida. Logo após a exposição, as abelhas foram liberadas a 1 quilômetro de distância das colônias.
Os resultados mostraram retorno de 16 abelhas do grupo de controle, contra apenas seis nas expostas por 10 minutos e apenas duas expostas por 20 minutos. Pesquisadores dizem que a capacidade de que as colônias encontrem alimento pode ficar comprometida se as operárias não voltarem ao ninho.
Desdobramentos da pesquisa
A equipe liderada por Kimmo Kaakinen, da Universidade de Turku, afirma que a dependência das colônias de trabalhadores para coletar alimento torna a navegação prejudicada um fator crítico para a nutrição da colônia. Em condições normais, a Buff-tailed costuma forragear a cerca de 2 km da colônia e já foi registrada retornando de distâncias de até 9,8 km.
Os autores sugerem que a queda na taxa de retorno pode dever-se a alterações na navegação espacial, na memória ou na capacidade de voo, ou a uma combinação desses fatores. A pesquisa questiona a suposição de que repelentes comuns para uso humano seriam inofensivos para polinizadores.
Contexto regulatório e estudos anteriores
A Comissão Europeia aprovou, em 2024, o uso de pralletrina por dez anos, válido de 1º de março de 2026 até 29 de fevereiro de 2036. Ensaios de laboratório indicaram que a exposição não aumenta a mortalidade de bombélias, mas efeitos subletais ainda não são bem compreendidos, segundo os autores.
Um estudo dos Estados Unidos de 2023 não observou impactos negativos na dança de recrutamento nem na forragem de abelhas melíferas (Apis mellifera). Um coautor do estudo com abelhas melíferas destacou surpresa com a magnitude dos efeitos observados no estudo recente e ressaltou a necessidade de investigações adicionais para entender por que certos anúncios apresentam impactos tão expressivos em alguns cenários.
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