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Protestos contra a produção de PFAS, químicos ligados ao câncer, se espalham pela Índia após a compra da antiga fábrica italiana Miteni pela Laxmi Organic Industries e a relocação para perto de Mumbai.
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A fábrica de Vicenza foi fechada em 2018 após envolvimento em um dos maiores escândalos ambientais da Itália, com contaminação de aquíferos que afetou mais de 350 mil pessoas.
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Equipamentos da antiga planta foram desmontados, enviados e reassemblados em Lote Parshuram, no sul de Mumbai, mantendo a produção de PFAS.
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Em 2 de fevereiro, o tema chegou ao parlamento indiano, com MPs cobrando investigação federal sobre o processo de autorização e destacando a ausência de regulamentação específica de PFAS no país.
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A Laxmi nega poluição e afirmou estar em conformidade com as normas indianas; documentos apontam que planos para a operação na Índia já estavam em andamento em 2018, antes do fechamento da fábrica italiana.
Pela primeira vez, investigações internacionais colocam em xeque a transferência de uma fábrica italiana de PFAS para a Índia. A planta de Miteni, em Vicenza, foi adquirida pela Laxmi Organic Industries e parcialmente reconstruída em Lote Parshuram, próxima a Mumbai, após o encerramento no país europeu em 2018. A divulgação ocorreu após a Guardian revelar vínculos entre a antiga unidade italiana e a nova operação indiana, mantidos mesmo após a desativação ambiental.
O episódio desencadeou protestos em diferentes regiões da Índia. Ativistas locais, moradores de áreas contaminadas na Europa e representantes de órgãos europeus participaram de encontros virtuais e presenciais para discutir a transferência de equipamentos e a ausência de regulações claras sobre PFAS no país. A mobilização ganhou força a partir de janeiro e manteve o tema em evidência até abril, com manifestações públicas em Lote Parshuram e debates institucionais em Nova Délhi.
Quem está envolvido inclui a empresa indiana Laxmi Organic Industries, proprietária da planta reformada, executivos da antiga Miteni, cuja condenação por contaminação ocorreu em junho de 2025, e representantes de comunidades afetadas na Itália e na Índia. A situação envolve ainda o Parlamento indiano, a ministra do Meio Ambiente que reconheceu a inexistência de norma específica para PFAS e especialistas que questionam a qualidade dos processos de relocação de equipamentos entre continentes.
Quando aconteceu, onde ocorreu e por quê
A transferência foi concluída entre 2018 e 2025, com a reimplantação do equipamento em Lote Parshuram, no estado de Maharashtra. O movimento ocorreu após o fechamento de Miteni, investigada por contaminação de um dos maiores aquíferos europeus e impactos em mais de 350 mil pessoas. A motivação declarada pela indústria é manter a produção de PFAS para uso em pesticidas, fármacos, dyes e cosméticos, segundo documentos e registros industriais.
Parlamento e regulação
Em 2 de fevereiro, a questão chegou ao Rajya Sabha, onde parlamentares cobraram investigação federal sobre o processo de autorização e a falta de regras específicas para PFAS na Índia. O deputado Pramod Tiwari apontou riscos da transferência de tecnologia de Europa para Índia sem marco regulatório claro. Em resposta, a ministra ambiental Kirti Vardhan Singh afirmou, por escrito, que não há uma norma ambiental específica que proíba a fabricação de PFAS no país.
Contexto técnico e de saúde pública
PFAS, conhecidos como “químicos permanentes”, podem permanecer no ambiente por longos períodos e emارف níveis elevados no sangue estão associados a riscos de câncer, doenças cardíacas e danos renais e hepáticos. Relatórios indicam que um ex-funcionário da antiga Miteni apresentou níveis de PFAS entre os mais altos já registrados em sangue humano. A indústria sustenta conformidade com normas indianas, mas a falta de regulamentação específica para PFAS tem gerado questionamentos sobre padrões de segurança.
Desdobramentos e próximos passos
Documentos obtidos pela imprensa indicam que, já em março de 2018, planos para a planta na Índia estavam prontos, com estudos de impacto ambiental em andamento e pedidos de licença de construção em curso, meses antes do fechamento da unidade italiana. Organizações civis e pesquisadores continuam a pressionar por regras claras e fiscalização mais rigorosa sobre equipamentos relocados e seus componentes.
A mobilização pública no Brasil e na Índia envolve ambientalistas, moradores e representantes políticos, ampliando o debate sobre desenvolvimento industrial versus saúde pública. A cobertura internacional também destaca a necessidade de transparência em transferências de fábricas relacionadas à contaminação ambiental entre continentes.
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