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Indianos protestam contra químicos persistentes após mudança de fábrica italiana

Protestos na Índia acendem debate sobre PFAS após fábrica italiana ser relocada para Laxmi Organic Industries, gerando contaminação de aquíferos e lacunas regulatórias

Laxmi Organics Industries’ chemical plant in Lote Parshuram in September 2024.
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Protestos contra a produção de PFAS, químicos ligados ao câncer, se espalham pela Índia após a compra da antiga fábrica italiana Miteni pela Laxmi Organic Industries e a relocação para perto de Mumbai.

A fábrica de Vicenza foi fechada em 2018 após envolvimento em um dos maiores escândalos ambientais da Itália, com contaminação de aquíferos que afetou mais de 350 mil pessoas.

Equipamentos da antiga planta foram desmontados, enviados e reassemblados em Lote Parshuram, no sul de Mumbai, mantendo a produção de PFAS.

Em 2 de fevereiro, o tema chegou ao parlamento indiano, com MPs cobrando investigação federal sobre o processo de autorização e destacando a ausência de regulamentação específica de PFAS no país.

A Laxmi nega poluição e afirmou estar em conformidade com as normas indianas; documentos apontam que planos para a operação na Índia já estavam em andamento em 2018, antes do fechamento da fábrica italiana.

Pela primeira vez, investigações internacionais colocam em xeque a transferência de uma fábrica italiana de PFAS para a Índia. A planta de Miteni, em Vicenza, foi adquirida pela Laxmi Organic Industries e parcialmente reconstruída em Lote Parshuram, próxima a Mumbai, após o encerramento no país europeu em 2018. A divulgação ocorreu após a Guardian revelar vínculos entre a antiga unidade italiana e a nova operação indiana, mantidos mesmo após a desativação ambiental.

O episódio desencadeou protestos em diferentes regiões da Índia. Ativistas locais, moradores de áreas contaminadas na Europa e representantes de órgãos europeus participaram de encontros virtuais e presenciais para discutir a transferência de equipamentos e a ausência de regulações claras sobre PFAS no país. A mobilização ganhou força a partir de janeiro e manteve o tema em evidência até abril, com manifestações públicas em Lote Parshuram e debates institucionais em Nova Délhi.

Quem está envolvido inclui a empresa indiana Laxmi Organic Industries, proprietária da planta reformada, executivos da antiga Miteni, cuja condenação por contaminação ocorreu em junho de 2025, e representantes de comunidades afetadas na Itália e na Índia. A situação envolve ainda o Parlamento indiano, a ministra do Meio Ambiente que reconheceu a inexistência de norma específica para PFAS e especialistas que questionam a qualidade dos processos de relocação de equipamentos entre continentes.

Quando aconteceu, onde ocorreu e por quê

A transferência foi concluída entre 2018 e 2025, com a reimplantação do equipamento em Lote Parshuram, no estado de Maharashtra. O movimento ocorreu após o fechamento de Miteni, investigada por contaminação de um dos maiores aquíferos europeus e impactos em mais de 350 mil pessoas. A motivação declarada pela indústria é manter a produção de PFAS para uso em pesticidas, fármacos, dyes e cosméticos, segundo documentos e registros industriais.

Parlamento e regulação

Em 2 de fevereiro, a questão chegou ao Rajya Sabha, onde parlamentares cobraram investigação federal sobre o processo de autorização e a falta de regras específicas para PFAS na Índia. O deputado Pramod Tiwari apontou riscos da transferência de tecnologia de Europa para Índia sem marco regulatório claro. Em resposta, a ministra ambiental Kirti Vardhan Singh afirmou, por escrito, que não há uma norma ambiental específica que proíba a fabricação de PFAS no país.

Contexto técnico e de saúde pública

PFAS, conhecidos como “químicos permanentes”, podem permanecer no ambiente por longos períodos e emارف níveis elevados no sangue estão associados a riscos de câncer, doenças cardíacas e danos renais e hepáticos. Relatórios indicam que um ex-funcionário da antiga Miteni apresentou níveis de PFAS entre os mais altos já registrados em sangue humano. A indústria sustenta conformidade com normas indianas, mas a falta de regulamentação específica para PFAS tem gerado questionamentos sobre padrões de segurança.

Desdobramentos e próximos passos

Documentos obtidos pela imprensa indicam que, já em março de 2018, planos para a planta na Índia estavam prontos, com estudos de impacto ambiental em andamento e pedidos de licença de construção em curso, meses antes do fechamento da unidade italiana. Organizações civis e pesquisadores continuam a pressionar por regras claras e fiscalização mais rigorosa sobre equipamentos relocados e seus componentes.

A mobilização pública no Brasil e na Índia envolve ambientalistas, moradores e representantes políticos, ampliando o debate sobre desenvolvimento industrial versus saúde pública. A cobertura internacional também destaca a necessidade de transparência em transferências de fábricas relacionadas à contaminação ambiental entre continentes.

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