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BHP ignora estratégia climática e investe em caminhões diesel no Pilbara

BHP mantém frota de diesel no Pilbara pese a plano de descarbonização, com atrasos na eletrificação e dependência de créditos de combustível.

BHP is Australia’s biggest user of diesel and its fleet of Pilbara trucks are its biggest single source of diesel emissions.
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  • A BHP continua comprando caminhões a diesel no Pilbara, mesmo com documentos internos sugerindo aumento de emissões e desalinhamento com as metas de descarbonização.
  • A empresa é a maior consumidora de diesel da Austrália, e a substituição da frota por caminhões elétricos é considerada essencial para descarbonizar as operações.
  • Documentos internos indicam uso de diesel na mina Jimblebar e em um projeto planejado, prevendo que esses caminhões representem a maior parcela das emissões diretas no local.
  • Em 2022 houve plano de refurbishment da frota de Jimblebar para estender vida útil em cerca de oito anos; em 2023, autorizou a compra de sessenta e dois caminhões diesel por mais de 500 milhões de dólares, visando 40% de deslocamento até 2040.
  • Em 2025, o relatório anual aponta desaceleração da transição para frotas movidas a eletricidade por atraso tecnológico; a BHP afirma que a tecnologia atual não está pronta e sinaliza testes com equipamentos elétricos em Pilbara, enquanto concorrentes avançam.

BHP continua a investir centenas de milhões de dólares na compra de caminhões a diesel no Pilbara, mesmo com documentos internos indicando que isso aumentaria as emissões e ficaria desalinhado com a estratégia de descarbonização da empresa. A mudança de planos ocorreria apesar de a empresa ser a maior consumidora de diesel na Austrália e dos caminhões representarem a principal fonte de emissões diretas de combustível.

Os documentos internos apontam que a substituição total da frota por caminhões elétricos é vista como passo crítico para reduzir emissões; no entanto, a empresa afirmou que a tecnologia ainda não está madura para operar uma frota completa. Enquanto isso, a BHP continua com compras de diesel para operações no Jimblebar, a 85 km de Newman, na Austrália Ocidental.

A cronologia mostra que, em 2022, a BHP planejava refurbishar a frota de Jimblebar para estender sua vida útil em cerca de oito anos, alinhando-se a uma transição gradual para veículos elétricos na década de 2030. Em 2023, o ritmo de aquisição de novos caminhões a diesel aumentou, com compra autorizada de 62 caminhões no Jimblebar, avaliados em mais de 500 milhões de dólares, sob a meta de reduzir o diesel em 40% até 2040.

Entre 2024 e 2027, a empresa previa iniciar testes com caminhões elétricos em Western Australia, com a implantação plena prevista para 2027-28. No entanto, documentos internos indicam que o plano original foi alterado, com a decisão de manter parte da frota a diesel para operações atuais e futuras, inclusive em uma nova mina proposta, o North Ministers.

Em relatórios de 2024, a BHP apresentou um segundo plano de ação climática apontando que o replace de caminhões elétricos começaria pela WA Iron Ore, com a expectativa de ampliar a eletrificação no final da década. Em 2025, o relatório anual sinalizou desaceleração na transição para diesel zero emissões, citando baixa prontidão tecnológica entre fabricantes.

A BHP informou ao Guardian que nenhum minerador australiano opera hoje com caminhões elétricos de 240 toneladas em escala, alegando falta de tecnologia compatível para operação em frota. A empresa afirma manter parcerias para testar equipamentos elétricos, incluindo dois caminhões e quatro locomotivas elétricas em projetos piloto.

Especialistas ouvidos pelo veículo associativo de responsabilidade corporativa criticam a posição da empresa, dizendo que a dependência de diesel está dificultando avanços tecnológicos. Outros apontam que a BHP poderia acelerar a eletrificação por meio de investimentos, planejamento e desenho de ativos com foco em baixa emissão, incluindo energia renovável para operações remotas.

Dados públicos indicam que a BHP utilizou 1,23 bilhão de litros de diesel no último exercício e recebeu 622 milhões de dólares em créditos fiscais de combustível do governo federal. Analistas afirmam que a empresa tem mantido o diesel como pilar de suas operações, resistindo a mudanças rápidas no setor.

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