- A BHP encerrou em junho de 2025 os planos de instalar uma usina de beneficiamento perto da mina Jimblebar, na região de Pilbara, que aumentaria a qualidade do minério de ferro.
- O projeto, considerado de “alto valor social” e alinhado ao plano climático da empresa, reduziria significativamente as emissões de escopo três, estimadas em 1,7 milhão de toneladas por ano.
- A lucratividade do empreendimento foi avaliada como marginal, e a empresa optou por não seguir adiante devido à competição por investimentos e aos retornos.
- A iniciativa visava atender à demanda de siderúrgicas globais por minério de maior qualidade, ajudando a reduzir emissões na siderurgia.
- Reportagens baseadas em documentos vazados indicam que a BHP havia suspendido também outras ações de energia limpa na região, mantendo foco em avaliações de emissões e alternativas de descarbonização.
BHP encerrou silenciosamente os planos para uma usina de beneficiamento de minério de ferro no Pilbara, na Austrália, que iria reduzir drasticamente as emissões. O projeto, ainda em fase adiantada em 2025, visava melhorar a qualidade do minério próximo à mineração de Jimblebar.
A proposta previa uma planta de beneficiamento perto da mina a céu aberto, com o objetivo de entregar minério de maior pureza aos siderúrgicos globais, especialmente na China, onde há pressão governamental para reduzir poluição. A iniciativa havia sido considerada de alto valor social interno e alinhada ao plano de descarbonização da empresa.
Em termos de impacto, estimava-se que as emissões de escopo 3, ligadas aos clientes, poderiam cair em 1,7 milhão de toneladas por ano, equivalente a tirar mais de 350 mil carros das ruas. O projeto também representaria uma vantagem econômica ao permitir cobrança de prêmio pela qualidade.
No entanto, em junho de 2025, documentos internos indicam que a BHP cancelou o empreendimento, sinalizando viabilidade econômica marginal e competição por capital com outros projetos. A decisão foi tomada sem divulgação ampla, segundo a reportagem baseada em materiais obtidos pelo Guardian e Four Corners.
Em perspectiva de emissões e estratégia
Além do Jimblebar, a investigação aponta que a BHP adiou um projeto solar de 50 MW com 20 MW de baterias na região, apesar de aprovação do conselho, bem como um sistema quase 500 MW de solar, vento e baterias.
A companhia também continuou a renovar frota de caminhões movidos a diesel para o Pilbara, mesmo com compromissos de eletrificação, e avaliou cenários para atrasar investimentos para atingir metas de net zero até 2050.
Especialistas ressaltam que a demanda por “ferro verde” cresce, com China expandindo seu esquema de comércio de emissões e a UE elevando custos de emissões para o aço importado. A avaliação aponta que beneficiamento pode reduzir emissões, mas envolve consumo de água e gestão de rejeitos.
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