- O governo do Nepal avalia entregar a gestão de um novo mega zoológico à National Trust for Nature Conservation (NTNC), órgão semigovernamental já responsável pelo Zoológico Central de Kathmandu.
- O projeto, em Suryabinayak, central do país, cobriria 259 hectares de florestas comunitárias e tem custo estimado de dez bilhões de rúpias nepalesas.
- Em 2026, um comitê ligado ao Ministério da Agricultura, Florestas e Meio Ambiente recomendou transferir o projeto à NTNC para criar um ambiente político mais flexível à operação.
- A NTNC defende sua experiência na gestão do zoológico existente desde mil novecentos e noventa e cinco e aponta capacidade de financiar e operar o novo equipamento, com suporte de parcerias internacionais.
- Há preocupações sobre a viabilidade financeira, governança e segurança, com críticas à nomeação de um chefe de gabinete sem experiência em conservação e à possibilidade de financiamento externo, incluindo apoio da China.
KATHMANDU — O governo do Nepal está preparando a transferência do ambicioso projeto do novo zoológico para o NTNC, órgão semigovernamental que já administra o Zoo Central de Kathmandu. A decisão ainda não é formal, mas é apontada como provável.
O zoológico proposto ficaria em Suryabinayak, município central, em uma área de 259 hectares de florestas comunitárias nas proximidades da capital. O custo estimado é de cerca de 10 bilhões de rupias nepalesas (aprox. US$ 65,8 milhões), recurso que tem faltado.
A primeira ideia de obra remonta a 2015, com cerimônia de inauguração em 2016, na presença do então primeiro-ministro. Desde então, apenas obras básicas e planejamentos avançaram, freados pela falta de financiamento estável.
A recente avaliação, realizada pela comissão ligada ao Ministério da Agricultura, Florestas e Meio Ambiente, recomendou a transferência para o NTNC, já responsável pelo Zoo Central. A ideia é criar um ambiente regulatório mais flexível para a gestão.
Segundo Maheshwar Dhakal, secretário adjunto que liderou a comissão, a alternativa mais viável é o NTNC cuidar das operações com apoio de políticas claras. O anúncio formal ainda depende de decisão governamental.
O NTNC, criado como King Mahendra Trust e que administra o Zoo Central desde 1995, defende que tem experiência, técnica e parcerias internacionais para gerir um projeto desse porte. A instituição também aponta capacidade de captar financiamento.
Críticos destacam riscos financeiros. O NTNC já enfrentou dificuldades para manter o Zoo Central, inclusive com campanhas de adoção de animais em 2021 durante a pandemia. A gestão de um zoológico maior é vista com cautela.
Além disso, houve controvérsia política: em 2026, o então primeiro-ministro interino nomeou o chefe de sua assessoria como presidente do NTNC, o que gerou críticas por falta de experiência em conservação. Ainda não se conhece o desfecho dessa nomeação no novo arranjo.
A estrutura prevista para o novo zoológico é maior que o atual. O projeto ocuparia sete florestas comunitárias, com espaço para centros de tratamento animal em parte dos terrenos, além de áreas para conservação e educação ambiental.
Existe ainda a possibilidade de financiamento adicional com apoio chinês, vinculando a cooperação a condições que podem influenciar o desenho, a operação e a seleção de espécies. Informações sobre acordos específicos ainda não foram tornadas públicas.
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