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Produtores de sal em Bangladesh enfrentam colheitas prejudicadas por mudanças climáticas

Chuvas fora de estação, nevoeiros e frentes frias atrasam a evaporação, encurtando a safra de sal no litoral de Bangladesh e elevando perdas entre agricultores.

A farmer collects dried salt from his field, carefully filling baskets to store them in nearby pits for processing. Image by Sifayet Ullah, taken from Ali Akbar Dail area of Kutubdia.
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  • Nasir Uddin, fazendeiro de Kutubdia, perdeu parte da produção de sal após chuva intensa durante a noite, com cerca de 18 maunds de sal levados pela água em um plantio de 0,5 hectares.
  • A produção de sal envolve mais de 27.520 hectares e mais de 40.000 produtores na região sudeste de Bangladesh, mas tem enfrentado perdas devido a clima imprevisível.
  • Estudo de 2025 aponta aumento de temperatura e de dias de chuva na região, com padrões climáticos cada vez mais erráticos e mais chuvas durante a temporada de produção.
  • Névoa prolongada, ondas de frio e chuva no início e no meio da temporada atrasam a formação de sal, e cada reinício de lavra leva três a cinco dias, reduzindo a produção.
  • A temporada de produção, de novembro a maio, vem sendo encurtada de sete meses para seis ou cinco meses e meio; se o tempo instável continuar, o país pode precisar importar sal para atender a demanda.

Ao sudeste de Bangladesh, trabalhadores do sal enfrentam perdas devido a chuvas atípicas que interrompem a colheita. Nasir Uddin, 55 anos, tentava drenar água de uma bed de sal em Kutubdia, Cox’s Bazar, após uma chuva forte na noite anterior. Em sua propriedade de 0,5 hectare, quase 18 maunds de sal foram soprados pela água antes da colheita programada.

O lavrador, que atua há cerca de 28 anos, disse que a precipitação de 15 de abril coincidiu com o pico de produção. A chuva não era comum nesses meses, mas aumentos recentes de precipitação ocorreram também em dezembro e janeiro, conforme relatos de trabalhadores locais. Milhares de agricultores costeiros enfrentam perdas semelhantes devido ao clima mais imprevisível.

Mudanças climáticas como ameaça crescente

A produção de sal é uma das principais atividades sazonais do país, abrangendo mais de 27.520 hectares em várias subdistritos do sudeste, com mais de 40 mil produtores diretos. Nos últimos anos, chuvas fora de época e ondas de frio atrasam o processo de cristalização, reduzindo a produção.

Estudos de 2025 com dados de mais de 30 anos indicam aumento de temperatura e de chuva na região. Dados do Centro para Pessoas e Meio Ambiente apontam crescimento de dias chuvosos na temporada de sal de 16 dias em 2021 para 25 em 2024, além de variações no número de dias de ondas de frio.

Impacto operacional e econômico

O processo de salgação depende de tempo seco, sol intenso e calor. Ondas de frio e neblina reduzem a incidência de radiação solar e atrasam a evaporação, atrasando a formação de cristais. Quando chegam chuvas, a salmaria precisa ser drenada, reparada e reabastecida, o que pode levar de três a cinco dias.

Entre 2023 e 2025, episódios de chuva interromperam períodos inteiros da safra. Em 2023-24, chuvas entre dezembro e janeiro encerraram parte do ciclo; em 2024-25, chuvas de novembro a dezembro causaram novos atrasos. Tais interrupções elevam custos e reduzem dias produtivos.

A BSCIC aponta que a temporada de sal vai de novembro a maio, mas eventos climáticos podem encurtar esse período. Para 2025-26, a projeção é de desempenho abaixo da meta de produção de 2,81 milhões de toneladas, com necessidade potencial de importação para atender a demanda doméstica.

Nasir Uddin estima dívida de aproximadamente 200 mil takas decorrente de quatro anos de prejuízos contínuos. O agricultor já cogita desistir, mas permanece na atividade enquanto o setor busca adaptação à nova normalidade climática.

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