- A agricultura foi o principal motor da perda de peatlands na Indonésia, Peru e na República Democrática do Congo, conforme estudo que analisou imagens de 2020 a 2021.
- Na Indonésia, a agricultura respondeu por 67% da conversão de peatlands; no Peru, 61%; e na RDC, agricultura de pequena escala sozinha representou 93% da conversão e 94% das emissões, com pouco papel da agricultura de grande porte.
- A queimada para desmatamento de peatlands ficou responsável por cerca de metade das emissões totais associadas à conversão.
- As emissões iniciais em 2020, resultantes de queimadas, foram de 19 a 20 vezes superiores às emissões da decomposição do tecido úmido no ano seguinte.
- Para reduzir as emissões, o caminho apontado é evitar o fogo e promover a reabilitação de peatlands drenados, mantendo-os alagados para impedir decomposição de longo prazo.
O estudo mais recente aponta que a agricultura é o principal motor da perda de pântanos tropicais na Indonésia, no Peru e na região do Congo (DRC). Pesquisadores analisaram imagens de satélite de 2020 a 2021 para quantificar a conversão de pântanos em cada país.
Os pesquisadores destacam que o desmatamento para uso agrícola, aliado à drenagem, supera outros fatores como extração mineral, estradas e extração madeireira na geração de emissões. O trabalho envolve a equipe liderada por Karimon Nesha, da Wageningen University & Research, na Holanda.
Os impactos e dados foram obtidos a partir de monitoramento por satélite dos 3 territórios, onde abrange as maiores manchas de pântanos tropicais. A pesquisa também indica que o DRC abriga a maior extensão de pântanos da região, incluindo a Cuvette Centrale.
Principais achados
Em Indonesia, a agricultura responde por cerca de 67% da conversão de pântanos em áreas agrícolas. No Peru, a agricultura de pequenos produtores é responsável por 61%. Na DRC, a agricultura de pequenos produtores representa 93% da conversão, sem papel significativo de grandes produtores.
A queimada é um fator comum na conversão de pântanos e, segundo o estudo, representa aproximadamente metade das emissões totais durante a transformação. A liberação é mais rápida e intensa no fogo, em comparação com a decomposição subsequente de áreas drenadas.
Os modelos indicam que as emissões iniciais, associadas à queima para construção de áreas agrícolas, foram 19 a 20 vezes maiores em 2020 do que as emissões da decomposição do carbono no ano seguinte. Mesmo assim, sinais de decomposição continuam por décadas, mantendo nível de emissões relevante ao longo do tempo.
Desafios e próximos passos
As maiores emissões totais foram registradas na DRC, pela vastidão dos pântanos tropicais, incluindo a Cuvette Centrale. Contudo, uma pesquisadora externa questionou parte da metodologia de quantificação, sugerindo potencial superestimação da profundidade dos pântanos no país.
Para reduzir as emissões, o caminho apontado pelos autores passa por evitar fogo na conversão de pântanos e pela recuperação de áreas drenadas com o reteste de água para interromper a decomposição de carbono a longo prazo. As conclusões devem ser tratadas com cautela quanto a incertezas remanescentes na estimativa de emissões.
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