- Em nenhuma era recente, a viticultura da Armênia foi fortalecida: descobriu-se uma vinícola de 6 mil anos atrás em Vayots Dzor, mas o período soviético devastou vinhedos para brante.
- Trinity Canyon tornou-se a primeira vinícola a obter certificação orgânica internacional em 2016, mas optou por não renovar o processo anual devido à complexidade e custo.
- Mesmo sem certificado vigente, a vinícola mantém produção orgânica com manejo de solo e biodiversidade por meio de culturas de cobertura e sem insumos químicos; há zonas de proteção junto a áreas vizinhas.
- A Academia Nacional de Ciências da Armênia estuda variedades nativas de uva desde 2012, com mais de 3.400 amostras coletadas e sequenciadas, buscando conservar o patrimônio genético frente à mudança climática.
- Em resposta ao aquecimento, a Armênia inaugurou o primeiro vinhedo de alta altitude (2.080 metros) para testar variedades locais, enquanto lidam com infestações de phylloxera e a escassez de karas (âmfora de argila) para fermentação, buscando soluções técnicas e educacionais.
Winemakers armenianos reconstrõem herança do vinho e protegem ecossistemas
Um renascimento vitivinícola ocorre na Armênia, onde agricultores estão recuperando tradições antigas ao mesmo tempo em que promovem práticas que preservam o solo e a biodiversity local. A história envolve desde achados arqueológicos até iniciativas modernas de vanguarda.
Em 2016, Trinity Canyon tornou-se a primeira vinícola do país a obter certificação orgânica internacional. Mesmo assim, a propriedade decidiu não renovar anualmente o certificado, citando custos e burocracia. Ainda assim, mantém o cultivo de uvas orgânicas e reforça práticas de manejo sustentável.
O foco na biodiversidade aparece em Trinity Canyon, que usa cover crops para enriquecer o solo e evitar fertilizantes sintéticos. O manejo envolve delimitar faixas de proteção entre áreas vizinhas para evitar contaminação por defensivos agrícolas.
Na pesquisa científica, laboratórios nacionais estudam uvas nativas para conservar o material genético e adaptar as plantas às mudanças climáticas. Desde 2012, a NAS RA já coletou e sequenciou mais de 3.400 amostras, com mapas de variedades locais antes da era soviética.
A região de Vayots Dzor registrou aumento de temperatura de cerca de 1,3 a 1,4 °C ao longo do último século, o que motiva a busca por variedades tolerantes a altas altitudes. Foi criada a primeira vinha de grande altitude, a 2.080 metros, em parceria com a Maran Winery.
Os pesquisadores apontam que muitas variedades locais se adaptam bem a altas elevações, enquanto uvas européias enfrentam mais dificuldades. A análise busca entender por que as vinhas armenias performam melhor nesses ambientes.
Outros desafios surgem, como a praga da phylloxera, que ataca raízes e folhas. Especialistas destacam a necessidade de técnicas de irrigação, circulação de ar e manejo para prolongar a vida das vinhas e reduzir danos futuros.
Além disso, há a busca por ampliar a produção de karas, ânforas de argila históricas, para fermentação e armazenamento. A solução incluída envolve a criação de uma escola de fabricação de karas, com potencial para atrair turismo técnico.
Paralelamente, grandes produtores de vinho têm criado seus próprios vinhedos para aumentar consistência e controle do processo produtivo, reduzindo dependência de terceiros. A prioridade é manter a produção estável diante de variáveis climáticas e de mercado.
O movimento também mira reduzir impactos ambientais, com iniciativas para reduzir resíduos, proteger o solo e promover práticas mais sustentáveis. Pesquisas e projetos de mapeamento de vinhedos ajudam a orientar investimentos futuros para regiões mais aptas.
A revitalização do vinho armeniano reflete uma convergência entre memória histórica, ciência e gestão ambiental. Embora o retorno a tradições antigas continue, a indústria busca equilibrar herança cultural com inovação e resiliência diante de mudanças climáticas.
Entre na conversa da comunidade