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Esperança nasce da ação: entrevista com Merlin Van Lawick, neto de Jane Goodall

O neto de Jane Goodall, Merlin Van Lawick, diz que a esperança nasce da ação, em meio a cortes de financiamento e a necessidade de diversificar a captação de recursos

Jane Goodall conducting research in Gombe Stream National Park, Tanzania. Image © the Jane Goodall Institute.
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  • Merlin Van Lawick, neto de Jane Goodall, participa do ChangeNOW 2026 em Paris e trabalha no Jane Goodall Institute.
  • Ele relembra os ensinamentos da avó e a ideia de que a esperança nasce da ação, não apenas de esperar que as coisas melhorem.
  • A organização enfrenta dificuldades financeiras desde cortes da USAID, com um gap de cerca de 30 milhões de dólares e mais de sessenta funcionários demitidos.
  • Merlin atua em ciência da conservação, comunicação e no programa Roots & Shoots, explorando tecnologias e potencial de IA para apoiar pesquisas e dados.
  • Há 4.000 clubes Roots & Shoots na Tanzânia; o objetivo é manter a presença no terreno, ampliar o envolvimento de jovens e diversificar fontes de financiamento.

Merlin Van Lawick, neto de Jane Goodall, concedeu entrevista ao Mongabay durante o ChangeNOW 2026, em Paris. O jovem vive em Dar es Salaam, Tanzânia, e participou do encontro pela Jane Goodall Institute (JGI), instituição fundada pela avó.

Desde sempre ligado à JGI, Van Lawick trabalha hoje na equipe de ciência da conservação e de comunicação da organização. Antes, já havia atuado em campo na Tanzânia, conectando comunidades e observando a complexidade da conservação.

Ele explica que a motivação vem dos ensinamentos da avó e da percepção de que pequenas ações diárias somam impacto. Também destaca a importância de envolver comunidades e de ampliar o alcance da missão da JGI.

Desafios financeiros e estratégias de captação

O executivo cita reduções de recursos nos últimos anos como principal desafio. Em 2023, a JGI recebeu um corte de financiamento dos EUA que gerou um déficit de cerca de 30 milhões de dólares para projetos previstos.

Para enfrentar o gap, a organização mobilizou a rede de filiais e buscou apoio de embaixadas e parceiros. Em Tanzânia, houve necessidade de desligar mais de 60 funcionários para manter a presença no terreno.

Van Lawick afirma que a diversificação de doadores é prioridade. A instituição pretende dividir programas em componentes menores e buscar recursos junto a empresas que atuem de forma alinhada ao meio ambiente, reduzindo a dependência de grandes doadores.

Legado e atuação presente

O jovem detalha que não pretende substituir Jane Goodall, mas manter o legado por meio de projetos de ciência da conservation, comunicação e Roots & Shoots, o programa educacional juvenil da JGI. O objetivo é ampliar a participação de jovens em soluções locais.

Quanto ao futuro, ele reforça a ideia de que esperança nasce da ação, repetindo a mensagem de sua avó sobre enfrentar obstáculos para alcançar a luz no fim do túnel. A meta é manter a missão viva, mesmo diante dos percalços.

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