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Até metade das aves da rota Africano-Eurásia estão em declínio

Metade das espécies migratórias que usam a rota Afro-Eurásia está em declínio, devido à perda de wetlands, mudanças climáticas e colisões com infraestrutura

Black crowned cranes (Balearica pavonina) at Guéra, Chad. Image by Michael 2020 via iNaturalist (CC BY-NC-ND 4.0)
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  • Cerca de 2 bilhões de aves migratórias voam pela rota Afro‑Eurásia todo ano, e entre 40% e 50% das espécies estão em declínio.
  • As aves que percorrem distâncias maiores enfrentam maior risco, com queda superior a 30% nos últimos 30 anos.
  • Perda de habitats, as mudanças climáticas e colisões com infraestrutura são as principais causas desse declínio.
  • O lago Chad, na borda sul do deserto do Saara, perdeu cerca de 90% de sua superfície desde os anos sessenta, prejudicando milhões de aves.
  • Iniciativas de conservação incluem paradas temporárias de turbinas eólicas durante grandes deslocamentos de aves e retrofit de linhas elétricas com marcadores de visibilidade, além de monitoramento de rotas migratórias e envolvimento de comunidades locais.

A metade das espécies de aves que voam pela rota Afro-Eurasiática está em declínio, segundo dados divulgados pela BirdLife International. A cada ano, cerca de 2 bilhões de aves percorrem essa rota migratória, mas entre 40% e 50% das espécies presentes estão em queda de população. A situação é mais grave entre as migrantes provenientes de Europa e Ásia.

A gravidade do problema não é uniforme. Espécies que viajam mais longe enfrentam maior risco, enquanto algumas que se movem dentro do continente africano, como o abdim-stork, têm perdas menores, mas ainda assim relevantes. O declínio é de mais de 30% nos últimos 30 anos entre as migrantes palearcticas.

A perda de habitats, mudanças climáticas e colisões com infraestrutura surgem como triângulo central das causas. O desmoronamento de wetlands, como o Lago Chad, que perdeu cerca de 90% de sua superfície desde os anos 1960, reduziu áreas de descanso para aves como o abdim-stork e o garrulha europeu.

Além disso, o aumento de temperaturas altera a sincronização entre migração e disponibilidade de alimento. Em áreas de Sahel, wetlands secam mais cedo, prejudicando o ganho de condição das aves ao chegarem ao período de reprodução.

No campo da energia, redes elétricas e parques eólicos causam mortalidade significativa entre aves de grande porte. Infraestruturas mal posicionadas costumam acompanhar cordilheiras de montanhas e vales onde ocorrem ventos fortes, elevando o risco de colisões.

Medidas de conservação já são implementadas em alguns locais. Em Gabal-el Zayt, no Egito, por exemplo, operadores suspendem turbinas durante grandes agrupamentos de migrantes. Em Sudão e Etiópia, linhas de energia foram adaptadas com marcadores de visibilidade e isolamento para reduzir eletrocussões de aves como o abutre-egípcio.

No Quênia, Nature Kenya, em parceria com BirdLife International e autoridades, produziu um relatório de avaliação ambiental estratégico para orientar onde a energia eólica deve ser instalada, evitando áreas-chave para a migração. Comunidades locais também colaboram no mapeamento de pontos de risco.

A campanha World Migratory Bird Day, realizada em maio, reforça a importância de wetlands e corredores migratórios para diferentes continentes. O objetivo é destacar a necessidade de proteção de habitats críticos para manter a conectividade entre populações migratórias.

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