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Guerra também aquece o planeta, aponta a crise climática

Se as forças militares fossem um país, seriam o quarto maior emissor de gases de efeito estufa, respondendo por cerca de 2,7 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente por ano

Colunas de fumaça pretas sobre as instalações de uma refinaria nos Emirados Árabes Unidos atingida por um drone iraniano em março de 2026.
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  • Se as forças militares do mundo fossem um país, seriam o quarto maior emissor de gases de efeito estufa, com cerca de 2,7 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente por ano, respondendo por mais de 5% das emissões globais.
  • Em 2025, apenas seis países reportaram dados desagregados de emissões militares à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, e o restante não informa.
  • Estudos apontam que a guerra na Ucrânia gerou 311,4 milhões de toneladas de CO₂ em quatro anos; a guerra em Gaza totalizou 33,2 milhões de toneladas em 15 meses.
  • A destruição aumenta o PIB porque ele mede atividade econômica, não bem-estar ou custos ambientais, sociais e de saúde; o PIB não reflete a perda de capital natural e condições de vida.
  • Em 2025, gastos militares globais chegaram a 2,9 trilhões de dólares; apenas 15% desse valor seria suficiente para financiar a adaptação climática no Sul Global, destacando o desvio de recursos.

A guerra também aquece o planeta. Forças militares globais, somadas, equivaleriam ao quarto maior emissor de gases de efeito estufa. Estudos apontam que conflitos movem milhões de toneladas de CO2, além de impactos indiretos que só aparecem nos inventários oficiais com atraso.

Dados recentes indicam que, nos primeiros 14 dias de combate no Irã, bombardeios, incêndios e deslocamentos somaram cerca de 5 milhões de toneladas de CO2 equivalente. Em comparação, isso supera a produção anual de países como El Salvador, ainda no começo do conflito.

O levantamento do Conflit and Environment Observatory coloca as forças militares mundiais como cerca de 2,7 bilhões de toneladas de CO2 por ano, o que representa pouco mais de 5% das emissões globais. Mesmo assim, tais números costumam ficar de fora de metas climáticas formais.

Emissões não contabilizadas

A participação militar é pouco incorporada nos inventários nacionais. Em 2025, apenas seis países reportaram dados desagregados à UNFCCC: Alemanha, Bulgária, Chipre, Eslováquia, Hungria e Noruega. O restante, em geral, não divulga informações completas.

O que entra na conta hoje costuma ser o consumo energético de bases e frotas, sem incluir fabricação de munições, logística, resíduos de guerra e reconstrução. Esses componentes padronizam o que é registrado, mas não o conjunto do impacto climático.

Estudos apontam que a guerra na Ucrânia gerou cerca de 311,4 milhões de toneladas de CO2 em quatro anos, com 37% do total vindo do combate direto. Incêndios em áreas naturais, reconstrução de infraestrutura e deslocamento de refugiados completam a maior parte das emissões.

Na guerra em Gaza, a estimativa é de 33,2 milhões de toneladas em 15 meses, o que equivaleria a um ano de emissões de países como a Hungria. Esses números vêm de pesquisa publicada na revista One Earth, conduzida por pesquisadores liderados por Benjamin Neimark.

Destruição econômica e custos ocultos

A produção militar aumenta o PIB ao medir atividade econômica, mas não o bem-estar ou a sustentabilidade. Economistas já destacaram que gastos com destruição e reconstrução elevam o produto, sem refletirem o custo ambiental e social.

Estimativas da ONU indicam que, em 2025, gastos militares globais chegaram a US$ 2,9 trilhões. Com uma parcela suficiente para financiar adaptação climática no Sul Global, a maior parte dos recursos permanece alocada para armamentos, desviando-se de transição energética, saúde e educação.

O custo ambiental de conflitos também atravessa fronteiras. Pesquisadores ressaltam que impactos climáticos de guerras no Golfo podem influenciar ecossistemas distantes, como florestas tropicais e biomas da Amazônia.

Desafios de medição e governança

Especialistas defendem métricas que traduzam o que hoje fica oculto: a destruição de capital natural, impactos climáticos de ações militares e custos sociais da instabilidade. Sem isso, o progresso medido pelo PIB pode esconder perdas ecológicas graves.

A relação entre geopolitica de conflito e crises climáticas reforça a necessidade de padrões de reporte mais rígidos e abrangentes. A comunidade internacional enfrenta o desafio de integrar emissões militares aos inventários nacionais de forma transparente e verificável.

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