- A Syngenta anunciou que deixará de fabricar o herbicida paraquat até o fim de junho, encerrando a produção global.
- A empresa afirma que a decisão se deve à forte concorrência de produtores genéricos e a uma participação inferior a 1% nas vendas globais.
- A Syngenta não comentou os processos judiciais, que somam milhares de ações nos Estados Unidos envolvendo alegações de que o paraquat causa doença de Parkinson.
- A empresa sustenta que o paraquat é seguro quando usado conforme as instruções registradas e continua sendo eficaz no controle de ervas daninhas.
- O caso envolve décadas de uso do paraquat nos EUA desde 1964, com debates sobre vínculos com Parkinson e pressões regulatórias e legislativas em vários estados.
Syngenta anunciou nesta terça-feira que deixará de fabricar o herbicida paraquat até o fim de junho, encerrando assim a produção do produto. A decisão ocorre em meio a milhares de ações judiciais movidas nos EUA por pessoas que alegam ter desenvolvido doença de Parkinson devido à exposição ao paraquat.
A empresa não comentou as ações judiciais ao anunciar o encerramento e não respondeu a pedidos de comentário. A nota cita competição acentuada com produtores genéricos e uma participação de menos de 1% nas vendas globais como motivos para a saída.
Segundo a Syngenta, a decisão visa concentrar recursos em áreas que tragam maior valor ao negócio e aos clientes. A companhia reafirma que o paraquat é seguro quando utilizado conforme as instruções registradas e que continua eficaz no controle de plantas daninhas.
Repercussões e contexto regulatório
O líder neurológico Michael Okun, da University of Florida, que defende a proibição do paraquat, qualificou a notícia como marco de saúde pública. A avaliação de risco referente ao paraquat é objeto de debate entre pesquisadores e autoridades.
O paraquat é utilizado nos Estados Unidos desde 1964 para eliminar ervas daninhas de folha larga e gramíneas. Embora banido em diversos países, o produto segue comum entre agricultores norte-americanos para várias culturas, incluindo soja, algodão, milho e uvas.
Situação legal e indústria
Mais de 8 mil ações judiciais nos EUA tratam de alegações de que o paraquat causa Parkinson. A Syngenta sustenta que não há relação comprovada entre Parkinson e o produto e já tem feito acordos em alguns casos antes do julgamento.
A agência ambiental norte-americana já avaliou que as evidências de ligação entre paraquat e Parkinson são inconclusivas, mas afirmou que revisará novos dados antes de decidir sobre a regulamentação futura. Diversos projetos de lei, em estados e no nível federal, buscam proibir o agroquímico.
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