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Mapas globais mostram onde micorrízicos prosperam e onde estão desprotegidos

Mapas globais revelam hotspots de fungos micorrízicos e proteção insuficiente, com menos de dez por cento das áreas de diversidade protegidas

The mycorrhizal mushroom Cortinarius albomagellanicus emerges from a hyper-diverse but hidden underground fungal community in Tierra de Fuego, Chile. Image courtesy of Mateo Barrenengoa.
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  • Cientistas criaram os primeiros mapas abrangentes da biodiversidade de fungos micorrízicos, resultado de quatro anos de trabalho do SPUN (Sociedade pela Proteção de Redes Subterrâneas).
  • Os mapas revelam que menos de 10% dos hotspots de biodiversidade de micorrizas estão em áreas protegidas, deixando ecossistemas subterrâneos vulneráveis.
  • As micorrizas formam redes que ajudam na transferência de nutrientes e água, representam até um terço da massa viva do solo e armazenam carbono crucial para o clima.
  • O Atlas Underground Mapeia a biodiversidade com resolução de um quilômetro, identificando hotspots como as encostas das Montanhas Simien, na Etiópia, e o cerrado brasileiro.
  • Existem dois padrões globais: micorrízicas arbusculares são mais diversas próximo ao equador; micorrízicas ectomicorrízicas são mais ricas em latitudes altas e em partes da América do Sul e da Austrália.
  • Dados apontam níveis baixos de proteção na Ásia (2,2% dos hotspots de arbuscular e 11,3% dos de ectomicorrízicos) e maior proteção na Europa (19,6% para arbuscular).
  • O estudo afirma que preservação de redes subterrâneas é essencial para segurança alimentar, ciclos hídricos e resiliência climática, além de orientar estratégias de restauração.

O estudo publicado na revista Nature apresenta os primeiros mapas abrangentes das redes subterrâneas formadas por fungos micorrízicos. A pesquisa, resultado de quatro anos de trabalho, foi conduzida pela Society for the Protection of Underground Networks (SPUN) e reúne dados globais sobre a diversidade desses fungos.

Os mapas revelam que menos de 10% das áreas com hotspots de diversidade de micorrízicos estão dentro de áreas protegidas. Isso indica vulnerabilidade de ecossistemas subterrâneos frente a agricultura e expansão urbana, com impactos potenciais na saúde dos bosques e na produção agrícola.

Os fungos micorrízicos estabelecem parcerias com mais de 80% das espécies vegetais. Eles formam redes que transportam nutrientes e água, chegando a representar até um terço da massa viva do solo. Esses sistemas ajudam a ciclar carbono e a manter a fertilidade do solo.

Desafios de proteção

A pesquisa mostra que as designateções de proteção costumam priorizar a biodiversidade acima do solo, deixando as redes subterrâneas pouco consideradas. Em termos regionais, a Ásia registra as menores taxas de proteção para hotspots de micorrízicos, com apenas 2,2% para arbusculares e 11,3% para ectomicorrízicos.

Metodologia e resultados

Os cientistas utilizaram algoritmos de machine learning treinados com mais de 2,8 bilhões de sequências de DNA de fungos, a partir de cerca de 25 mil amostras de solo em 130 países. Os mapas identificam padrões globais distintos entre os tipos arbuscular e ectomicorrízico.

Entre os hotspots mais relevantes estão as encostas da Serra de Simien, na Etiópia, e o cerrado brasileiro, onde se estima mais de 45 espécies de micorrízicos arbusculares por 100 m². As áreas menos protegidas concentram-se também em florestas tropicais africanas e em florestas temperadas da Tasmânia.

Implicações para conservação

Pesquisadores destacam que as informações ajudam a orientar ações de restauração e conservação, com alvos quantitativos para gerenciar comunidades micorrízicas diversas. A ferramenta Underground Atlas permite explorar padrões de diversidade com resolução de 1 km.

A pesquisadora Rebecca Shaw, da WWF, ressalta que os fungos micorrízicos fornecem serviços ecossistêmicos relevantes para segurança alimentar, ciclos hídricos e resiliência climática. A organização não esteve envolvida no estudo, mas endossa a relevância dos achados para políticas públicas.

Perspectivas futuras

A SPUN expande a rede de coleta global e desenvolve ferramentas para governantes e gestores de terras. O objetivo é tornar visível a biodiversidade fúngica oculta e integrá-la às estratégias de conservação e uso sustentável dos recursos naturais.

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