- Pesquisadora Ligia Pizzatto testa método não letal para proteger tartarugas de água doce no entorno do Murray River, na Austrália, usando ovos decoy com substância que causa mal-estar e spray de baunilha para reforçar a aversão.
- O estudo ocorre em oito sítios de nidificação, incluindo Ryan’s Lagoon, com objetivo de afastar raposas (principal ameaça) das tocar nests de tartarugas nativas.
- Na fase de condicionamento, as raposas comeram cerca de 30% menos ovos; em alguns locais, até 90% dos ovos ficaram intactos. A aversão pode durar semanas após a remoção dos ovos modificados.
- A técnica busca ampliar opções de conservação sem abater predadores; é inspirado em pesquisas espanholas sobre aversão a sabores e cheiros, combinando odor novo (baunilha) com mal-estar.
- O projeto envolve comunidades locais e Povos tradicionais, com planos de ampliar a aplicação prática, simplificar o protocolo e, se possível, utilizar rastreamento por GPS para entender comportamentos das raposas.
A pesquisadora Ligia Pizzatto, da La Trobe University, testa uma técnica para proteger tartarugas de água doce da bacia Murray-Darling, no sudeste da Austrália. O método usa ovos de iscas e um cheiro que induz mal-estar em raposas para evitar que elas comam ovos de tartaruga.
A experiência ocorre em oito locais da região do Murray, incluindo Ryan’s Lagoon, um entorno de 165 hectares usado como campo de estudo. A ideia é impedir que raposas digamim joguem de lado ovos de tartaruga, reduzindo o risco de extinção de espécies nativas.
A pesquisa envolve decoy eggs que contêm um fungicida que provoca vômito em raposas, além de um spray com aroma de baunilha para reforçar a associação ruim com ovos. O objetivo é criar uma barreira sensorial que funcione a longo prazo.
A equipe registrou variações nos resultados entre os locais: em alguns, até 90% dos ovos passaram ilesos; em outros, a proteção durou poucas semanas. A durabilidade do efeito é um dos principais desafios.
A iniciativa ocorre em parceria com comunidades locais, organizações tradicionais e autoridades. Os dados são colhidos com câmeras de armadilha e, no futuro, podem incluir colares de GPS para mapear movimentos das raposas.
A pesquisadora já planeja ajustar a distribuição da baunilha para associar o cheiro aos locais de nidificação, não apenas aos ninhos artificiais. Espera também testar aromas que aproximem o cheiro de ovos de tartaruga reais.
Pizzatto destaca que a abordagem visa ser acessível e replicável, com materiais simples como ovos de galinha e baunilha. O objetivo é oferecer uma ferramenta adicional, não letal, para conservação de tartarugas e espécies afins.
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