- Estudo em Gola Rainforest National Park, na Serra Leoa, investiga se financiamento de carbono via REDD+ também protege a biodiversidade, além de reduzir o desmatamento.
- Foram usados gravadores de áudio em 133 pontos ao longo de 24 horas para medir saturação sonora e diversidade de frequências, como indicadores de biodiversidade.
- Comparações com uma área comunitária financiada por REDD+ e com uma área protegida na Libéria sem REDD+ mostraram que a proteção REDD+ está ligada a diferenças na paisagem sonora, com maior diversidade ao amanhecer e ao meio-dia.
- Em Gola, houve mais sons únicos de insetos e aves e maior presença de sons de animais de maior porte em baixas frequências, sugerindo maior riqueza de espécies.
- Análises de DNA de artrópodes indicaram maior diversidade na área comunitária do que na área protegida pelo REDD+, evidenciando impactos complexos e destacando a necessidade de monitoramento direto para entender o papel do REDD+ na biodiversidade.
O estudo avaliou se o financiamento de carbono, via REDD+, protege a biodiversidade em Gola Rainforest National Park, em Serra Leoa. Pesquisadores, liderados pelo biologista de conservação H. S. Sathya Chandra Sagar, coletaram dados no parque para entender se a redução do desmatamento beneficia aves, insetos, anfíbios e mamíferos.
A investigação comparou áreas com REDD+ ativo, uma área comunitária com financiamento semelhante, e uma região vizinha na Libéria sem financiamento REDD+. A comparação ocorreu ao longo de 2019 a 2022, com monitoramento de biodiversidade por meio de gravações de som e captura de DNA ambiental.
Como o estudo foi feito
Foram instalados dispositivos de registro sonoro em 133 pontos, cobrindo os três ambientes, por 24 horas. A partir das gravações, os cientistas fizeram a relação entre saturação de sons, frequência e diversidade de espécies. Também foi usada a metabarcoding de DNA para identificar várias espécies a partir de amostras de artrópodes.
Os resultados mostraram maior saturação de som no parque protegidos pela REDD+ em relação à área comunitária, com queda abrupta na fronteira entre elas. Elementos climáticos e topográficos foram comparados e mostraram semelhanças entre as áreas, reforçando a relação com a proteção contra desmatamento.
O que os dados indicam
Os pesquisadores identificaram maior diversidade de sons de insetos e aves de baixo a médio alcance de frequência no Gola, sugerindo presença de mais espécies. Na Libéria, a diversidade sonora variou ao longo do dia, com padrões diferentes da área protegida.
A análise de DNA apontou maior diversidade de DNA de artrópodes na área comunitária, reflexo de Habitat heterogêneo. Em contrapartida, o parque protegido apresentou riqueza de DNA de diversos grupos, incluindo insetos de maior tamanho, com possíveis implicações para predadores de maior porte.
Implicações e próximos passos
Especialistas externos consideram o desenho do estudo robusto para isolar efeitos do REDD+. A pesquisa sustenta que monitoramento de biodiversidade de baixo custo pode somar-se ao financiamento climático, além de medir impactos além de cobertura florestal.
Sagar continua analisando dados e ampliando o uso de ferramentas de detecção de caça, com foco em espécies vulneráveis. O objetivo é fornecer informações acionáveis a guardas florestais e comunidades locais para mitigar a caça e fortalecer a conservação.
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