- Astrônomos identificaram um grupo de estrelas muito antigas perto do Sol que pode ser vestígio da galáxia anã Loki, supostamente engolida pela Via Láctea há mais de 10 bilhões de anos.
- O conjunto, formado por 20 estrelas extremamente pobres em metais, possui marcas químicas e trajetórias incomuns que indicam origem diferente da maioria das estrelas próximas.
- As análises combinaram dados do espectrógrafo do Telescópio Canadá-França-Havaí e do Gaia, permitindo reconstruir as órbitas dentro da Via Láctea; algumas estrelas orbitam no sentido prógrado e outras retrógrado.
- Simulações sugerem que Loki teria colidido com a Via Láctea quando esta ainda era jovem, espalhando estrelas em direções distintas; a galáxia perdida teria massa de cerca de 1,4 bilhão de sóis.
- O estudo, publicado na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, reconhece limitações e aponta que futuras observações com WEAVE e 4MOST podem confirmar a existência de Loki e quantas estrelas vieram dela.
Há 10 bilhões de anos, a Via Láctea ainda era uma galáxia em formação. Pesquisadores identificaram vestígios de Loki, uma galáxia anã possivelmente engolida pela Via Láctea nesse período. O grupo de estrelas antigas fica próximo ao Sol.
A equipe analisou 20 astros extremamente pobres em metais, a cerca de 6,5 mil anos-luz. Utilizaram o espectrógrafo do Telescópio Canadá-França-Havaí e dados do Gaia para reconstruir as órbitas dentro da galáxia.
As estrelas mostram movimentos prógrado e retrógrado, mas compartilham assinatura química semelhante. Isso aponta para uma fusão antiga, com Loki deixando marcas ainda presentes na Via Láctea. Estima-se que Loki tivesse massa de cerca de 1,4 bilhão de sóis.
Implicações e próximos passos
A hipótese indica que a Via Láctea cresceu ao incorporar galáxias menores ao longo de bilhões de anos. Estudos anteriores já haviam sugerido fusões similares, como Gaia-Salsicha-Enceladus.
Simulações mostram que galáxias menores podem dispersar estrelas em direções diversas após a incorporação. Os pesquisadores destacam que a amostra atual é pequena e requer mais observações para confirmar a origem de Loki.
Projetos como WEAVE e 4MOST devem mapear a composição de centenas de milhares de estrelas, ajudando a identificar mais vestígios de fusões passadas. Se Loki existir, novas descobertas devem ampliar o quadro sobre a montagem da Via Láctea.
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